Embora desde o início figurasse no desenho da coligação encabeçada por Leandro Grass, o PDT terminou por ser o último dos partidos a endossar formalmente a chapa ratificada na noite de quarta-feira, 5.
A federação PT-PV-PCdoB nunca admitiu abrir mão da indicação ao governo, que coube a Leandro Grass, assim como esteve sempre fechada com as candidaturas ao Senado da petista Érika Kokay e de Leila Barros, a Leila do Vôlei, do PDT.
Na terça-feira, 4, porém, o PDT fez sua convenção e insistiu na tese da frente ampla, incorporando o PSB. A própria Leila endossou a postura do partido, um dos poucos a negociar até o fim com os defensores da candidatura alternativa de Ricardo Cappelli.
Já iniciada a convenção do PT, o tema ainda permaneceu em debate, o que atrasou um pouco o anúncio da decisão final, que veio quando o PDT e a própria Leila aceitaram a adesão simples a Grass, então ratificado em caráter definitivo.
Coube à própria Leila do Vôlei anunciar a posição, em pronunciamento no qual destacou que os principais avanços conquistados por seu mandato só foram possíveis graças ao trabalho conjunto entre o Congresso Nacional e o governo do presidente Lula.
O PSOL e a Rede já haviam fechado questão no apoio à chapa da federação. Leandro Grass (foto) dirigiu um agradecimento especial a Leila e ao PDT.
Disse que “a unidade do campo democrático e popular, tão desejada e trabalhada nesses anos, tomou forma e foi ampliada. Hoje, de forma especial, quero saudar a chegada e união do PDT Nacional, o partido de Brizola, Darcy Ribeiro e tantas lideranças que ajudaram a construir o país”.
Desafio: presença nos debates (foto)

Logo após ser oficializado candidato, Leandro Grass fez um desafio-surpresa à governadora Celina Leão, pré-definida como principal adversária da chapa das esquerdas.
Grass cobrou Celina para que compareça a todos os debates entre candidatos, referindo-se especialmente ao já marcado pela TV Bandeirantes, a Band, para o próximo domingo. Será o primeiro desses debates televisivos.
A deputada Érika Kokay repetiu o desafio ao ser também oficializada candidata ao Senado e garantiu que “com a eleição de Leandro Grass, a ética vai subir à rampa do Palácio do Buriti”.
A mesma convicção foi mostrada, já no final da composição da chapa, pela recém-escolhida candidata a vice, a empresária Dora Gomes (foto), ativista de movimentos negros.
Veras banca escolha da vice (foto)
A única troca feita na chapa da federação petista à última hora, já com a convenção instalada, foi a escolha da candidata a vice, a empresária Dora Gomes, do PV, ativista dos direitos negros.
Antes disso, dava-se como certo que o cargo — reservado até o fim para um improvável acordo com o PSB — ficaria para Tetê Monteiro, indicada pelo PSOL, do qual é dirigente local e nacional.
Dora foi defendida com ênfase pelo deputado federal Reginaldo Veras, o único do PV, sob o argumento de que, embora ativista política, ela é empresária e, nessa condição, teria diálogo com um público de centro, dando viés de moderação.
Entretanto, acrescentou Veras, “ela pode até ser empresária, só que é mais das quebradas, como eu, e assim pode fazer um balanceamento com o Leandro, que tem perfil mais de Plano Piloto, de Geração Brasília, mas estará com alguém das quebradas a seu lado”.
Dora foi candidata a distrital na eleição passada, mas não se elegeu.
Coordenação de Lula
Em vez de vice, Tetê Monteiro passará para a coordenação da campanha do presidente Lula no Distrito Federal. A designação é meio vaga. Afinal, já existe um coordenador indicado para a função.
É o próprio presidente regional do PT, Guilherme Sigmaringa, que tem diálogo histórico e pessoal com o presidente. Lula viu Guilherme crescer, pois era amigo próximo de seu pai, o falecido deputado Sigmaringa Seixas.
Só para lembrar, Sig era companheiro de peladas de Lula antes mesmo de se filiar ao PT e, depois, deputado de três mandatos, tornou-se conselheiro informal do presidente para toda e qualquer questão ligada ao Judiciário.
Chegou até a recusar um convite quase impositivo para virar ministro do Supremo Tribunal Federal.