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Os próximos passos de Reguffe

É o partido com maior cofre eleitoral em todo o País, mas será preciso ver quanto se disporá a investir em cada campanha

Por Eduardo Brito 28/06/2022 5h00
Brasília – Senador Reguffe durante a defesa da presidenta afastada Dilma Rousseff em sessão de julgamento do impeachment, no Senado (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Já lançada sua candidatura ao Palácio do Buriti, o senador José Antonio Reguffe destinará as próximas semanas a estruturar suas bases. É o momento de negociações com os partidos – e o senador acha que, por definição, essas negociações nunca são simples. Diz, por exemplo, que precisa financiar sua campanha de forma limpa, sem transigir com os princípios que tem defendido ao longo de sua carreira política. Isso deixa transparecer certa incerteza com relação à sua legenda, o União Brasil. É o partido com maior cofre eleitoral em todo o País, mas será preciso ver quanto se disporá a investir em cada campanha.

Pitiman confia no União Brasil

Ex-deputado federal e hoje secretário-geral do Podemos, o empresário Luiz Pitiman não disputará qualquer mandato nas eleições, dedicando-se à campanha de Reguffe. Participando das negociações desde o começo, ele aposta em pleno apoio do União Brasil à candidatura do governador. Pitiman diz que tem uma certeza: “o União Brasil é hoje um grande partido e também pensa grande”. Isso significa, completa, “que não vai se apequenar recuando de compromissos já assumidos com o próprio Reguffe”. Mais do que isso, “não é do interesse do União Brasil sacrificar uma campanha a governador que garante possibilidades reais de êxito”. O próprio Pitimam se diz testemunha e avalista de conversas com os três principais dirigentes do União, o que inclui o presidente regional Manuel Arruda, que deram ao senador carta branca para escolher qual cargo disputaria, se governador, deputado federal ou a reeleição.

Frente progressista

Ainda candidato a governador pelo PSB, o ex-secretário Rafael Parente aposta em uma ampliação de apoios, no que chama de Frente Progressista. “Estamos juntos na mesma chapa, mas, é uma conversa que precisa ser feita com calma e que deve incluir a senadora Leila Barros”, avisa ele, em consonância com o que diz o próprio Reguffe. “A frente progressista que defendo deve ter esses dois nomes compondo a nossa chapa e também é necessário trazer a Federação e outros partidos”. De acordo com Rafael Parente, “sou 100% favorável à união do campo democrático nestas eleições e sei que é possível”.

Pesquisas

Pelos cálculos do time de Reguffe, as pesquisas mostram que, no quadro atual, é possível pensar em um segundo turno. Na verdade, o governador Ibaneis Rocha deverá ficar à frente no primeiro turno, e isso é reconhecido. A esperança é que haja um segundo turno e, então, apostar no apoio dos eleitores dos candidatos derrotados.

Investigação no MEC

Após assinar a CPI do MEC, a senadora brasiliense Leila Barros cobrou intensidade nas investigações sobre o escândalo do ministro Milton Ribeiro e de pastores evangélicos que o cercavam. Para Leila, “a quebra de sigilo de operações policiais é muito grave, pois coloca em risco preservação de provas”. Se comprovada essa notícia, além de configurar crime, raciocina a senadora, a atitude do presidente afetará a credibilidade da Polícia Federal. A senadora chama a atenção para o trecho, em conversa gravada entre Milton Ribeiro e a filha, no qual ela o alerta que ligou de um celular normal. Logo em seguida, Milton desconversa e encerra a conversa. Uma vez que essa ligação da filha – registrada em um grampo legal – ocorreu no dia 6, houve muito tempo para que ele pudesse destruir provas. É evidente que o alvo final das investigações não está no Ministério da Educação, mas no Palácio do Planalto. Afinal, o presidente Jair Bolsonaro evoluiu da fase “pôr a cara no fogo pelo ministro”, para a fase “ele que pague se fez algo irregular” e agora guinou para a nova fase “não vejo o mínimo indício de corrupção”, ao que tudo indica em função da possibilidade de novos vazamentos.

Ibaneis na ACIT

O Buriti confirmou que o governador Ibaneis Rocha estará no jantar a ser oferecido nesta terça-feira, 28, pela Associação Comercial e Industrial de Taguatinga, a ACIT, para inauguração do novo auditório e salão de eventos na sede da entidade, no Setor Industrial da cidade. O evento faz parte das comemorações dos 62 anos da Acit e dos 64 anos de Taguatinga.

Aposta no PL

A ex-ministra Flávia Arruda e o marido, o ex-governador José Roberto Arruda, aceleraram as aparições políticas. Estão particularmente interessados na formação de bases eleitorais e no fortalecimento do PT, de que Flávia é presidente regional. Apareceram por exemplo no lançamento da pré-candidatura à reeleição do distrital Donizet, no Gama. É uma manobra ousada de Donizet, que não foi eleito pelo Gama, mas destinou grande parte dos recursos de suas emendas para a cidade. Lá apareceram também a ex-secretária Marcela Passamani, estreante que tenta uma vaga de deputada federal em dobradinha com o distrital, e a administradora regional do Gama, Joseane Feitosa, da mesma esfera política deles.

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Maratona

Nos últimos dias, Arruda e Flávia realizaram verdadeira maratona de campanha. Entre a sexta-feira, 24, e a segunda, 27, foram vistos em ao menos oito eventos, entre eles o arraiá solidário dos bombeiros em favor da população do Sol Nascente, ao lado dessa vez do distrital Roosevelt Vilela, também do PL, e de uma costelada em comemoração do aniversário de Brazlândia – com direito a Flávia Arruda atacar uma enorme costela à unha.

Guerra interna no Serviço de Limpeza Urbana

Uma luta antiga para definir a carreira dos trabalhadores do Serviço de Limpeza Urbana levou a uma degola dos associados da entidade representativa da categoria, a ASLU. Tudo começou quando, no governo Agnelo, a carreira dos servidores de limpeza urbana deixou a Gestão de Resíduos Sólidos, integrando-se à genérica PPGG. Só que uma ação do Ministério Público tornou essa ação inconstitucional. Isso levou a uma redução de vencimentos já no governo Rollemberg. Os servidores rebelaram-se e conseguiram, no governo Ibaneis, retornar à PPGG. A associação, porém, preferem a antiga categoria de gestão de resíduos sólidos. Não aceita a posição dos servidores que optaram pela PPGG e que argumentam que a carreira de resíduos está envelhecida, pois hoje o SLU é só um órgão fiscalizador dos contratos das firmas terceirizadas. Assim, na PPGG os servidores têm mais condições de se enquadrarem, por ser uma carreira de Estado. Diante disso, a direção da Associação passou a expulsar os dissidentes, ignorando os recursos e enviando imediatamente ao departamento de pessoal do SLU para exclusão do desconto em folha do associado. Tudo a ver com a eleição da nova diretoria da entidade, em agosto.

À busca de charutos

Pouco antes de ser internada para tratar uma pneumonia, a ex-ministra Damares Alves enviou por meio de seu comitê de pré-campanha ao Senado um vídeo em que revela sua vontade de viajar para Cuba. O objetivo seria buscar parte dos charutos dados como garantia para um empréstimo bilionário do BNDES durante o governo do PT. Damares garante que seu objetivo seria “montar uma banquinha lá em frente do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, para dar o dinheiro aos conselhos tutelares.

Inflexão na Justiça Eleitoral

Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral em caso de potencial inelegibilidade pode constituir indicador de flexibilização das decisões da Justiça Eleitoral sobre o que é e o que não é propaganda irregular nas eleições presidenciais deste ano. Referindo-se ao relator do processo, um dos advogados do caso, Robson Halley, afirma que “o ministro Ricardo Lewandowski corrigiu uma injustiça e indicou parâmetros contrários ao punitivismo que vinha crescendo em alguns setores da Justiça Eleitoral”. No caso, Ricardo Lewandowski derrubou a condenação de ex-prefeito de Caucaia, Naumi Gomes de Amorim, punido por suposto abuso de poder político e propaganda eleitoral antecipada nas eleições de 2020. Para Lewandowski, Naumi apenas divulgou informações de sua gestão dentro dos prazos permitidos por lei. A prática não poderia, portanto, ser classificada como propaganda eleitoral. Caucaia é o segundo município com maior número de eleitores no Ceará.

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