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Novela do vice

Ibaneis decide livremente sobre a escolha da vice. Flávia define seus suplentes. Tudo em nome do fortalecimento da chapa

Por Eduardo Brito 18/05/2022 5h00
Foto: Agência Brasília

O governador Ibaneis Rocha e a deputada Flávia Arruda costuraram um acordo sobre a chapa sucessória do Distrito Federal. Ibaneis decide livremente sobre a escolha da vice. Flávia define seus suplentes. Tudo em nome do fortalecimento da chapa. É evidente que ambos têm suas preferências. Para Flávia, não interessa um vice-governador que, ao assumir o Buriti na hipótese provável de saída de Ibaneis para disputar vaga de senador, ceda à mosca azul e tente disputar um mandato integral. Ibaneis, de seu lado, não quer um vice que, com aspirações próprias, crie para ele problemas semelhantes aos que antecessores enfrentaram. É isso que cria expectativas em favor da recondução de Paco Britto. Entretanto, pode ser necessário reforçar a chapa do ponto de vista eleitoral e atender às reivindicações dos partidos da base. Por essas e outras é que a escolha ficará para os 45 minutos do segundo tempo.

Três na raia

Com a demora do senador José Antonio Reguffe a anunciar – ou não – sua candidatura a governador, cresce no PSDB de Izalci Lucas e no PDT de Leila Barros a tendência a tornar irreversíveis suas próprias indicações ao Palácio do Buriti. Assim, caso Reguffe confirme as expectativas de entrar nesse páreo, os três senadores do Distrito Federal estarão concorrendo entre si pelo cargo. Como os três estão no mesmo espectro político, isso poderia resultar em uma pulverização de votos. Em tese, seria prejudicial. Mas existe uma outra leitura. Como o atual governador Ibaneis Rocha está hoje com grande distância nas pesquisas, uma multiplicidade de oposicionistas poderia ajudar a conduzir as eleições para um segundo turno.

Fragilidade na esquerda

Contribuiria para essa tese a fragilidade mostrada pela esquerda. Mesmo que Keka Bagno, pelo PSOL, repita a performance de Fátima Sousa em 2018, a candidatura do PT não tem, até agora, perspectivas de alcançar o desempenho de eras passadas. Estaria mais para o que ocorreu em 2018, quando o partido conseguiu só 60 mil votos. Com 4% do total, amargou a nona e penúltima colocação. Assim, a multiplicidade das candidaturas senatoriais poderia até ajudar a oposição.

Emendas inexistentes

Bolsonarista de carteirinha, favorável a todas as propostas do governo, a deputada brasiliense Bia Kicis diz que essa história de emendas do orçamento secreto é pura invenção. De acordo com ela, “essas narrativas de que emendas destinadas por Parlamentares no exercício da sua atribuição constitucional são apadrinhamentos atacam a própria atividade legislativa”. Bia diz que se sente revoltada quando ouve parlamentares usando “esse tipo de linguagem injuriosa”, que, assegura ela, seus detratores empregam “simplesmente porque são contra a matéria”. Essa seria a origem desse falso orçamento secreto: “como não sabem argumentar contra, começam a inventar mentiras sobre a medida provisória e atacar colegas”, garante Bia Kicis.

Filão da beleza

A deputada brasiliense Celina Leão passou a explorar um novo filão eleitoral: os profissionais de beleza. Apresentou um projeto de lei para incluir entre as atribuições do enfermeiro a realização de procedimentos estéticos. Agora quer estimular uma mudança legislativa na classificação econômica para profissionais de beleza, alterando a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, uma classificação oficial de ocupações adotada pelo Sistema Estatístico Nacional do Brasil. Celina até organizou na Câmara dos Deputados um seminário reunindo dezenas de profissionais do setor para discutir sua proposta. “As mudanças contemplam pessoas e empresas que prestam serviços de bronzeamento natural e artificial e de design de sobrancelhas, cílios, micropigmentação e depilação”, conta a deputada. A intenção é criar duas novas subclasses na CNAE, que abrangeriam os prestadores de serviços de bronzeamento artificial e de design, micropigmentação, depilação e limpeza de sobrancelhas ou cílios. “Essa alteração é de grande importância para o reconhecimento dessas categorias, além de facilitar enormemente o registro dessas empresas visando ao cumprimento de suas obrigações legais”, explica.

Republicanos na mira

Como todo mundo sabe, o governador Ibaneis Rocha não gostou nada, mas nadinha mesmo, das manobras do Republicanos para lançar uma candidatura senatorial da ex-ministra Damares Alves, rachando sua base. Mais ainda porque o Republicanos fez de tudo para ratificar seu apoio, inclusive levando-lhe hierarcas da Igreja Universal do Reino de Deus, ligada ao partido, para referendar essa posição. Só que agora apareceram fraturas internas no Republicanos. Durante agenda no Jardim Botânico, o republicano campeão de votos para distrital na última eleição, Martins Machado, elogiou entusiasticamente o governo Ibaneis. “Não temos dificuldade de acreditar nesse governo. Onde nós vamos é obra, obra, obra. E, lá na CLDF, aprovamos os projetos que beneficiam a população”, disse Martins Machado durante a assinatura para recuperação da pista que liga São Sebastião ao Plano Piloto.
Capa. A propósito, Martins Machado virou capa da revista Antenados, agora em novo visual. Está até organizando uma festa de lançamento da edição, em uma churrascaria do SIA, no dia 31 de maio.

Ampliação para lá de difícil

Já praticamente ungido candidato ao Buriti pela federação PT-PV-PCdoB, o distrital Leandro Grass aderiu com empenho à tese de que o mais relevante, nestas eleições, é viabilizar a vitória do ex-presidente Lula na corrida presidencial. Fala em aumentar a base partidária de Lula no Distrito Federal, incluindo legendas que, no plano nacional, já estão com o ex-presidente. Só não diz como. Dos partidos que cita, o PSOL apoiará Lula mesmo no plano nacional, mas tem candidatura própria ao GDF, assim como o Solidariedade, comprometido com a dupla Paula Belmonte-Reguffe. Da mesma forma, o PSB nacional está mais do que comprometido com Lula, mas a federação de Grass tem pouco ou nada a oferecer no Distrito Federal aos socialistas, que têm candidato próprio e que priorizam a eleição de uma dupla de nomes para deputado federal, Israel Batista e Rodrigo Rollemberg.

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Fora de pauta

O distrital Chico Vigilante revoltou-se com a suspensão da análise, que seria votada nesta terça-feira, 17, pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal, do processo de licitação para contratação de uma empresa de terceirização de serviços de limpeza nos hospitais públicos. A suspensão da análise se deu por conta de decisão do conselheiro Manoel Andrade, que acolheu um recurso da empresa BRA, a que presta atualmente estes trabalhos. Acontece, diz Chico Vigilante, “que essa empresa tem sido constantemente denunciada pelo parlamentar e por trabalhadores terceirizados, que chegaram a fazer greve alguns dias atrás por conta do atraso de salários e precárias condições que recebem”.

Acidentes com caminhões

Mostra a Polícia Rodoviária Federal que as mortes em acidentes com caminhões representam 47% do total nas rodovias federais. Só no ano passado, 853 ocupantes de caminhão morreram em acidentes nas rodovias federais, enquanto nas colisões envolvendo caminhões e outros veículos foram 2.521 mortes. Os números trazem preocupação para o setor, que se reúne, nesta quarta-feira, 18, para debater o atual cenário e as medidas que podem ser tomadas para enfrenta-lo, no no Seminário Transporte Rodoviário Socialmente Responsável. O evento será realizado na sede do Ministério Público do Trabalho, em Brasília.

Dinheiro do DF para o Entorno

Ex-candidato do PT a governador do Distrito Federal, o economista Julio Miragaya passou a defender o fatiamento do fundo constitucional criado para financiar a saúde, a educação e a segurança da capital. Fez suas contas: para 2022, o orçamento do DF é estimado em R$ 48,54 bilhões (R$ 16,28 bilhões só do Fundo Constitucional do Distrito Federal, enquanto a estimativa orçamentária para os 12 municípios da periferia metropolitana é de R$ 3,25 bilhões, 15 vezes menor. Portanto, calcula, “dividindo-se o orçamento total pela população a ser atendida, observa-se que, no DF, o orçamento per capita resulta em quase R$ 16.000, enquanto a média nos municípios periféricos é de somente R$ 2.500, mais de seis vezes menor”. Curioso é que a tese de tirar recursos do Distrito Federal para custear despesas da Região Metropolitana sempre foi uma das bandeiras do governador goiano Ronaldo Caiado, um inimigo fervoroso do PT.

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