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Do Alto da Torre
Do Alto da Torre

Muda equilíbrio de forças nos Estados Unidos 

É que, hoje, os democratas do presidente Joe Biden contam com 51 senadores, contra 49 republicanos.

Eduardo Brito

15/11/2023 18h56

Foto: SAUL LOEB / AFP

A tomada de posição de um obscuro senador norte-americano, o veterano Joe Manchin, pode mexer com todo o equilíbrio político dos Estados Unidos e afetar, inclusive, as relações com o Brasil.

É que, hoje, os democratas do presidente Joe Biden contam com 51 senadores, contra 49 republicanos. Ao menos cinco dos atuais senadores democratas que disputam a reeleição no próximo ano correm risco, por representarem estados de maioria republicana ou de extremo equilíbrio.

Joe Manchin é senador pela Virgínia Ocidental, um estado pequeno que vive quase exclusivamente a exploração do carvão e, portanto, detesta a sensibilidade climática dos democratas, principalmente a partir do governo de Barack Obama. Existia a convicção de a única possibilidade de manter essa cadeira seria uma reeleição duríssima de Manchin.

Só que o senador acaba de jogar a toalha. Traduzindo: o melhor que os democratas podem conseguir será um empate. Com isso, ele praticamente assegura que os republicanos trumpistas terão maioria no Senado, que soma tantos — ou mais — poderes do que o próprio presidente.

“Tomei uma das decisões mais difíceis da minha vida e decidi que não vou concorrer à reeleição para o Senado dos Estados Unidos, mas o que farei é viajar pelo país e falar para ver se há interesse em criar um movimento para mobilizar o meio e unir os americanos”, anunciou Manchin.

Com isso, os democratas só controlarão o Senado se ganharem as demais cadeiras incertas e, de quebra, reelegerem Biden, pois nesse caso a vice-presidente Kamala Harris mantiver seu voto de desempate entre os senadores.

Mas a esperança é a última que morre

Aconteceu, porém, algo de improvável. O clima de pessimismo entre os democratas, mesmo diante da provável perda do Senado, desanuviou-se diante dos resultados das eleições parciais ocorridas de uma semana para cá.

É que todas as votações que pareciam incertas para deputados e senadores estaduais foram ganhas por democratas. Para isso pesou um debate que tem grande repercussão no Brasil: o direito ao aborto.

No estratégico estado de Virgínia, grudado na capital Washington, o governador republicano – que está no meio do mandato – perdeu o controle do Legislativo. Ele quer maior rigidez nas normas sobre o aborto, embora seja moderado para padrões republicanos.

Perdeu todas as cadeiras mais disputadas. E o mote da campanha foi o aborto. Isso ocorreu em outros estados. Até no ultraconservador Kentucky o governador democrata conseguiu se reeleger, defendendo uma abordagem menos radical no direito ao aborto.  Na verdade, essas eleições são pouco significativas em termos de poder real, mas representaram um teste para os democratas diante da ofensiva dos trumpistas. E os trumpistas perderam.

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