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Do Alto da Torre
Do Alto da Torre

Michelle já é candidata, mas ainda desperta controvérsia

Mas que alguma incerteza fica no ar, lá isso fica

Eduardo Brito

04/08/2026 20h02

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Damares garante voto em Flávio apesar dos Republicanos Crédito Geraldo Magela/Agência Senado

Acabou, em tese, a dúvida sobre a candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado, com a ratificação da chapa majoritária da governadora Celina Leão.

O importante para essa vertente política e para a própria Celina é a afirmação dessa candidatura, que agora será registrada na Justiça Eleitoral, e Michelle estará formalmente no jogo. Mas sua ausência nas convenções, em especial na do PL, voltou a criar incerteza nessa vertente eleitoral.

Celina não pensa assim. Acha que, até por suas condições pessoais — leia-se os cuidados ao marido, que não teve direito sequer a uma enfermeira —, ela não precisará mesmo participar de todo o dia a dia da campanha.

A própria Michelle se preocupou em justificar, à deputada Bia Kicis, a ausência na ratificação das candidaturas a senadoras. Culpou “a enxaqueca persistente que já dura mais de dez dias” e teve o cuidado de acrescentar que “não poderia deixar este dia passar sem falar com você e com todos que acreditaram nesta caminhada”.

Ficou, claro, a desconfiança de que ela não quis comparecer à convenção do PL para não cruzar com o enteado Flávio, apesar das insistentes afirmações de que estão de pazes feitas.

A governadora Celina Leão minimiza tudo isso, lembrando sempre que Michelle nem precisa sair de casa para fazer campanha. Mas que alguma incerteza fica no ar, lá isso fica.

Mesmo constrangida, Damares garante apoio a Flávio (foto)

Sem esconder seu constrangimento, a senadora brasiliense Damares Alves (foto) declarou, nesta terça-feira, 4, que, apesar da postura neutra adotada pelo seu partido, manterá seu apoio irrestrito à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

O posicionamento ocorre logo após a convenção nacional do Republicanos, que deliberou pela neutralidade formal na disputa do Palácio do Planalto, optando por não selar uma coligação nacional com o Partido Liberal, o PL da família Bolsonaro.

Em vídeo divulgado para contextualizar o encontro partidário, Damares fez questão de esclarecer que a posição institucional da sigla não engessa seus filiados e de assegurar que sua base política já tem lado definido na corrida presidencial.

“Isso quer dizer que os membros do partido são neutros? Não. Eu tenho o meu candidato. O meu candidato é Flávio Bolsonaro”, pontuou.

Damares revelou ter atuado nos bastidores para tentar viabilizar a aliança oficial entre Republicanos e PL. Contudo, a articulação esbarrou em dinâmicas regionais consolidadas.

Segundo Damares, as convenções estaduais já haviam estabelecido caminhos distintos. Com exceção de Pernambuco, que sinalizou composição com o PT, a maioria dos estados preferia caminhar com Bolsonaro.

Diante do impasse, segundo ela, o Republicanos optou por não impor uma diretriz única. Para ilustrar a complexidade dessas alianças, a senadora usou como exemplo o próprio PL.

Ela lembrou que o partido de Bolsonaro se coligou a adversários políticos no Ceará, incluindo figuras que atuaram pela inelegibilidade do ex-presidente. “O PL respeitou a autonomia do estado do Ceará. Isso acontece dentro de um partido”, explicou.

Ao encerrar, Damares defendeu a postura do Republicanos, classificando-o como um partido “sério” e reafirmando que a direção nacional apenas referendou a vontade expressa pelas bases locais.

Nada de vice

Em tempo: desde que o PP se declarou neutro e, com isso, criou obstáculo praticamente intransponível para a senadora Tereza Cristina ser vice de Flávio Bolsonaro, o nome de Damares passou a ser mencionado com frequência para o cargo.

A decisão do Republicanos, semelhante à do PP, também inviabiliza a alternativa.

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