Como sabe todo mundo no Congresso, a começar pelos presidentes dos grandes partidos, o sonho desses caciques é fortalecer as bancadas da Câmara dos Deputados. Claro, é o número de deputados federais que determina o tempo do horário gratuito de rádio e TV. E, hoje, muitíssimo mais importante, é o que fixa o volume de recursos do polpudo fundo partidário.
É por isso que líderes de partidos como União Brasil só se preocupam em reforçar as bancadas na Câmara. O PL constitui exceção: quer o Senado, pois só com maioria de senadores se pode construir a anistia de Jair Bolsonaro. Não os demais.
Que o diga o ex-senador Reguffe (foto), que se transferiu para o União Brasil pensando na reeleição, mas se viu pressionado a virar puxador de bancada na Câmara. Num gesto forte, Reguffe abandonou tudo, desistiu da reeleição e mandou o União Brasil às favas.
Hoje vive problema semelhante em outro partido, o Solidariedade. Mas o PP, o Republicanos, o PSDB e o próprio MDB só pensam naquilo.
Por isso mesmo, começou a germinar no comando emedebista o sonho de ver o governador Ibaneis Rocha puxando uma bancada de deputados federais. Ressalte-se: a ideia está só no comando, pois Ibaneis sabe que hoje teria os votos suficientes para chegar ao Senado e não precisaria de ideias desse gênero.
Como seria o jogo
Mesmo contando com a resistência óbvia, por essa estratégia, ao optar por concorrer a deputado federal, Ibaneis trocaria sua eleição majoritária, ainda que dada como provável, por uma disputa proporcional mais previsível.
Com projeção de aproximadamente 200 mil votos, ele entraria como um dos mais votados do Distrito Federal, garantindo mandato e foro por prerrogativa de função — elemento relevante no cálculo político. A mudança deixaria de ser vista como recuo e passaria a representar uma estratégia de preservação de capital político e reorganização partidária.
A votação recorde de Ibaneis se somaria à projeção de cerca de 120 mil votos de Rafael Prudente. Só aí o partido poderia alcançar aproximadamente 320 mil votos na chapa federal.
Com esse volume, o MDB teria chances reais de eleger dois deputados federais e ainda puxar mais dois nomes, como José Humberto Pires (foto) e talvez Daniel Donizet, ambos beneficiados pelo quociente partidário.

A matemática eleitoral favorece chapas com votação concentrada em líderes fortes — e Ibaneis cumpriria esse papel. Não é uma novidade na política brasiliense.
José Roberto Arruda fez isso no passado, após renunciar ao Senado, e Érika Kokay sempre desempenhou esse papel no PT. Reguffe se vê pressionado a reproduzir a mágica.
Tudo com a vantagem de se reproduzir a soma na Câmara Legislativa. Por essas projeções, o MDB teria quatro deputados federais e provavelmente quatro distritais.
Tudo isso se enquadra na estratégia geral do partido – que o digam o presidente nacional Baleia Rossi e o candidato a presidente do Senado Renan Calheiros, entre outros. Mas é claro que Ibaneis não vai querer nem ouvir falar disso.
Não é seu perfil e, hoje, constituiria mais um problema do que uma solução.