Com a formalização da saída do ex-deputado Geraldo Magela da disputa pelo Buriti, formalizada nesta quinta-feira, 5, o caminho parece aberto para uma recandidatura do ex-distrital Leandro Grass (foto), que agora corre quase sozinho pelo PT.
Não há dúvida de que Grass conta com amplo respaldo das lideranças petistas, a ponto de Magela, com muito mais tempo de casa, reconhecer que a melhor forma de unificar o partido é deixar a disputa pelo governo e tentar reaver sua vaga de deputado federal, para o que precisará de aval do comando petista.
Mas tudo isso ainda não é jogo jogado. O PT pode encontrar resistência entre os próprios aliados e, mais, em aliados próximos. Não há, também, dúvida de que Ricardo Cappelli permanece candidatíssimo, como não há dúvida também de que o PSB quer sua fatia nesse jogo. E os próprios petistas, que têm a reeleição de Lula como grande – gente malvada pode até dizer quase única – prioridade, podem se ver compelidos a negociar.
O que sobra para o PSB
Hoje, com três governadores, o PSB pode ficar sem nenhum. Renato Casagrande, do Espírito Santo, João Azevedo, da Paraíba, e Carlos Brandão, do Maranhão, deixarão os cargos, e nenhum deles tem um correligionário como sucessor provável.
De certo, certo mesmo, o PSB conta só com João Campos, em Pernambuco. Até em São Paulo, a candidatura do ex-governador Márcio França virou pó diante das alternativas de Fernando Haddad e Simone Tebet, que nem do partido são. Sim, tanto quanto se lembre, ainda tem Geraldo Alckmin, mas numa vice.
É pouco para quem se pretende ser o principal parceiro de Lula. Até o PDT, com toda a aura de Brizola, só tem chances reais, e, assim mesmo, nem tanto, no Rio Grande do Sul. O partido reclamará mais. E Lula tem suas preferências pessoais. Tudo isso torna provável a abertura de mais concessões aos aliados, em especial aos que não fazem parte da sua atual federação.
Conta de chegar para a vaga de Magela

A desistência de Geraldo Magela (foto) poupou o PT brasiliense do constrangimento inevitável de uma prévia. Mas não resolveu, por si só, o que constitui a segunda prioridade do partido, que é reforçar sua bancada na Câmara dos Deputados, onde se contabilizam os minutos de rádio e televisão, assim como os recursos do fundo partidário.
A federação dos petistas com PV e PCdoB, sabidamente, foi melhor para os aliados do que para o partido do presidente. A chapa brasiliense terá nove vagas. Uma irá necessariamente para o PV do já deputado Reginaldo Veras, mas o partido reclama mais uma.
O PCdoB, em tese, cobraria outras duas vagas, mas, na verdade, não tem grandes nomes e, se for bem trabalhado, pode se contentar com um posto para seu presidente João Vicente Goulart. Enquanto isso, o PT só tem uma certeza: a de que perderá a vaga de deputada ocupada há anos por Érika Kokay.
Tudo isso forçará o PT a rever a composição partidária – o que deve acontecer ainda este mês – e a reforçar suas próprias indicações. Geraldo Magela ainda não tem garantida a vaga para disputar a Câmara, mas a soma desses fatores parece assegurar sua presença na chapa. Afinal, já foi deputado federal por três mandatos, quase se elegeu governador e conta com respaldo partidário.
BOX
Dentro do quadro de instabilidade que cresce nos quadros partidários, estão aparecendo novas perguntas entre os próprios governistas. O que interessará mais ao PT, ter uma candidatura da legenda a senador ou fazer três deputados federais pelo DF? Contentar os sócios minoritários da federação ou ter Érika Kokay no Senado?