A senadora brasiliense Leila Barros acordou cedo nesta quarta-feira, 2 de agosto, e acompanhou o jogo da Seleção Feminina de Futebol a caráter, com camiseta verde e amarela autografada por todas as jogadoras. Segundo ela, “um presente que amei e vou guardar com muito carinho”.
Mas não deu. Leila evitou comentar o jogo, mas elogiou o esforço do time. E fez uma referência especial a Marta.
Disse que “a rainha Marta se despede das copas do mundo de futebol, mas seu legado é eterno, pois é seis vezes melhor jogadora do mundo e maior artilheira das copas. Obrigada por nos encantar e representar o Brasil com muito amor”.
Carro penhorado
Com seu Chevrolet Tracker penhorado pela Justiça, em função de uma cobrança do PSB, a senadora Leila afirmou que está em discussão – e a Justiça é quem decidirá –se um partido político tem o direito de exigir parte dos salários de filiados que ocupam mandatos para os quais foram eleitos.
O Diretório Nacional do PSB cobra judicialmente R$ 180 mil, em valores atualizados, que não foram recolhidos por Leila a título de contribuição mensal por detentores de mandato eletivo.
O Estatuto do PSB prevê que os parlamentares eleitos pela legenda devem repassar 10% do rendimento bruto ao partido. A cobrança se refere ao período em que Leila estava no PSB, entre março de 2019 e junho de 2021. Em agosto desse ano a senadora se transferiu ao Cidadania e de lá passou ao PDT.
Leila avisa que em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral considerou que essa cobrança pode ser feita, mas não pode haver punição para quem não aceitar essa contribuição compulsória. O estatuto do PSB é antigo, anterior a essa decisão, e não foi atualizado, o que gerou essa confusão.
“É mais ou menos como naquela época em que os clubes eram ‘donos’ dos atletas, que só poderiam ir para outro clube caso pagassem uma multa, mas a lei mudou e acabou com o comércio de profissionais”, disse a senadora, lembrando que não deixou o PSB por razões políticas, mas pessoais, tanto assim que “o PDT, partido que hoje presido no DF, tem muitas afinidades ideológicas com a minha antiga casa”.
De toda forma, Leila vê alguma coisa de bom no confronto. “A parte positiva dessa história é que ela mostra que nem todo político é igual, pois muita gente acredita que todo político tem muito dinheiro e carro de luxo, e hoje as pessoas puderam ver que eu possuo um automóvel comum, fabricado em 2015”, comentou a senadora.
Não vale para todos
A cobrança de dízimo é comum a diversos partidos, a começar pelo PT, que inclusive a impõe a outros ocupantes de cargos públicos, não só dos eletivos. Mas nem sempre a cobrança é igual. Por exemplo, o distrital Roosevelt Vilela elegeu-se pelo PSB e deixou o partido, mas não está sendo cobrado.