A senadora brasiliense Leany Lemos (foto), que completa o mandato de Leila Barros, a Leila do Vôlei, fez a lição de casa e apresentou um estudo sobre quais são os trabalhadores alcançados pela PEC 221, de 2019. Esse levantamento — elaborado com dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego e do IBGE — mostra que 36,2 milhões de vínculos de trabalho com carteira assinada possuem jornada contratada superior a 40 horas semanais, o que equivale a praticamente 80% dos vínculos celetistas analisados.
Ou seja, somente 20% dos trabalhadores formalizados no país não trabalham na jornada 6×1. Para Leany, “esses dados permitem dimensionar o alcance da redução da jornada e identificar os setores mais afetados: na agropecuária, 95,8% dos vínculos celetistas possuem jornadas superiores a 40 horas; na construção civil, são 95%; no comércio, 94%; na indústria de transformação, 92%; na indústria têxtil, 97% dos trabalhadores e das trabalhadoras enfrentam a jornada de 6×1”.
“No comércio varejista, somente, são cerca de 6,7 milhões de vínculos nessa condição; na fabricação de produtos alimentícios, quase 2 milhões de trabalhadores; nas atividades de alimentação, 1,65 milhão de trabalhadores”, acrescentou.
Flávio não reverterá escala, garante Izalci
O senador brasiliense Izalci Lucas, deputado federal eleito pelo PL, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro, caso eleito presidente da República, não irá reverter a proposta de fim da escala 6×1 e de redução da jornada para 40 horas semanais.
O parlamentar respondeu a declarações da deputada Érica Hilton, do PSOL, que alertou para o risco de uma eventual reversão da medida. “Na prática, a gente vê que a preocupação não é com o trabalhador. A preocupação é ganhar a eleição. E o PT faz o que for, qualquer coisa pra ganhar a eleição”, afirmou Izalci.
O senador criticou o que chamou de propostas “absurdas” apresentadas pelo governo na véspera do período eleitoral e disse que, se fossem de autoria de Bolsonaro, “teria prisão perpétua”.
Sobre a possibilidade de mudança sob um eventual governo de Flávio Bolsonaro, Izalci foi categórico: “É óbvio que o Flávio não vai reverter, não vai mudar isso. Pode acontecer de apresentação de alguns ajustes em função do que pode acontecer com determinadas atividades, como eu disse aí, a questão da própria Petrobras e outros, a questão do transporte internacional, essas coisas. Mas jamais haveria redução com relação à questão das quarenta horas. Eu vejo que não há essa possibilidade.”