Com a recuperação dos direitos eleitorais do ex-ministro José Dirceu, o PT dá como certa a sua candidatura a deputado federal nas eleições de 2026, até como puxador de votos para a legenda.
Surgiu, porém, uma tese de última hora. Dirceu sempre se elegeu deputado por São Paulo, sendo quase sempre bem votado, mas perdeu a única eleição majoritária a que concorreu.
Dava-se como certo que ele concorreria à Câmara dos Deputados como uma alternativa paulista, até como puxador de votos. Começou a circular nos últimos dias, porém, a ideia de lançá-lo candidato pelo Distrito Federal, onde morou nos últimos anos e onde tem passado a maior parte do tempo.
Gente malvada diz que a ideia é coisa de candidato paulista, onde o PT recuou nas últimas eleições. Fez apenas nove deputados federais e até o atual ministro Paulo Teixeira entrou na lista raspando. Nomes tradicionais do partido, como os deputados Vicentinho, Iara Bernardi e José Américo ficaram de fora – Vicentinho só entrou porque chamaram Teixeira para o ministério. A entrada de José Dirceu poderia até ajudar na soma de votos, mas representaria também uma ameaça aos que teriam vaga assegurada.
Onde sobraria vaga
Quem defende a candidatura de José Dirceu pelo Distrito Federal parte de uma alegação verdadeira. O PT sempre teve potencial para eleger mais deputados brasilienses do que nas últimas eleições, quando apenas Érika Kokay chegou à Câmara.
Da última vez a federação formada pelo PT com PV e PCdoB elegeu também o deputado Reginaldo Veras, que concorreu pelos verdes e chegou a 54 mil votos, sendo o sexto mais votado entre todos os candidatos. Esse é o ponto. Tem petista alegando que sua chapa foi fraca demais.
Não havia outro candidato em condições de se eleger como titular, tanto que o seguinte mais votado na chapa foi a drag queen Ruth Venceremos, com 31 mil votos. O ex-deputado Roberto Policarpo chegou aos 22 mil. A seguinte na lista, Vanessa é o Bicho, ficou na casa dos 10 mil e, dos demais, ninguém passou da irrelevância.
Vem daí o argumento de que José Dirceu reforçaria a nominata, elegendo mais um deputado federal. Há até quem diga que a presença do ex-ministro na chapa poderia liberar Érika Kokay para concorrer ao Senado em vez de ficar presa à garantia de ao menos uma cadeira na Câmara.
Claro que muita gente acha que essa linha de argumento não passa de uma armadilha para Érika, que tem reeleição assegurada. De qualquer forma, a ideia de ver José Dirceu candidato pelos paulistas ainda faz muito mais senso.