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Guerra aberta

Depois, já candidato, Grass disse que sua federação partidária, formada por PV, PT e PCdoB “está mais unida do que nunca, segue em diálogo com os demais partidos do nosso campo, faremos Lula vencer no DF”

Por Eduardo Brito 25/05/2022 5h00
Foto: Júnior Rosa

Não se deve convidar os distritais Julia Lucy e Leandro Grass para a mesma mesa. Os dois se davam bem quando estavam em outros partidos, chegando até a posar juntos, mas agora a relação azedou. Os primeiros atritos públicos ocorreram quando Julia Lucy subscreveu o projeto que prorroga o prazo para substituição de sacolas plásticas pelo comércio de Brasília e Grass não gostou. Depois, já candidato, Grass disse que sua federação partidária, formada por PV, PT e PCdoB “está mais unida do que nunca, segue em diálogo com os demais partidos do nosso campo, faremos Lula vencer no DF”. Isso significa, segundo ele, “derrotar as facções”. Lucy deu o troco. “Derrotar facções se unindo a outras é difícil de engolir, né?”, cutucou, completando: “Vale tudo pra vencer eleição?”. Grass reagiu. Dirigindo-se diretamente à colega, afirmou que “para ganhar a eleição o que vale é o trabalho e o voto popular”. Aí partiu para o contra-ataque, dizendo que não faz alianças e escolhas partidárias “por critérios financeiros ou outros que não sejam programáticos”.

BRB na ribalta

O empresário José Celso Gontijo disse ao governador Ibaneis Rocha que um dos maiores acertos de sua administração foi evitar a privatização do Banco de Brasília, o BRB. Gontijo lembrou, inclusive, que essa foi a posição assumida por Joaquim Roriz, que estava no Buriti à época em que quase todos os bancos estaduais foram privatizados, a começar pelo poderoso Banespa. “Sem um banco, a autoridade do estado fica mutilada”, avaliou o empresário. Ibaneis disse que responderia com dados. Apresentou esses dados nesta segunda-feira 23. “Conhecido como banco da cidade, em 2021 o BRB obteve seu melhor resultado da história, fechando o ano com um crescimento de 35,2% comparado a 2020”, avisou. Só para não perder o costume, Ibaneis aproveitou para alfinetar seus dois antecessores imediatos. Afirmou que o BRB é “o banco que saiu das páginas policiais e se tornou protagonista de matérias econômicas e sociais”.

Estreia na pré-campanha

Bisneto do presidente Juscelino Kubitschek, o empresário André Octávio Kubitschek deu seu primeiro passo na política durante o último final de semana. Depois de participar de um evento de pré-campanha pela manhã, ele acompanhou o pai, o ex-senador Paulo Octavio, na visita à AgroBrasília, evento realizado no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci reunindo mais de 130 mil pessoas. Acompanhados de Paulo Palmer, irmão mais velho de André, os dois visitaram estandes, encontraram apoiadores e conheceram os números da exposição, que registrou mais de R$ 4,5 bilhões em negócios.

Fôlego em alta

Depois dos eventos da manhã e da tarde, Paulo Octávio ainda teve disposição para uma visita no JK Shopping, onde prestigiou evento em comemoração aos 213 anos da Polícia Militar do DF. Aproveitou também para jantar em um restaurante chinês da praça de alimentação, ao lado de amigos. Por fim, tarde da noite ainda visitou rapidamente o camarote presidencial do show de Gusttavo Lima.

Representações familiares

Houve época em que o Senado era marcado pela presença de primos, herdeiros das dinastias históricas dos estados. Depois, eram filhos ou mesmo pais, colocados na chapa pelo senador eleito. Foi assim com ACM Júnior, Lobão Filho, Garibaldi Alves e outros. Agora é a vez das mães. O senador alagoano Rodrigo Cunha acaba de se licenciar para concorrer a governador e deixou a cadeira nesta terça-feira, 24, para sua suplente Eudocia Caldas, mãe do prefeito de Maceió, seu aliado político. Ela se juntará a Eliane Nogueira, mãe e suplente do senador Ciro Nogueira, hoje chefe da Casa Civil, e à recordista Nilda Gondim, mãe do ex-senador Vital do Rego e do atual senador Veneziano Vital do Rego. E, na bancada do Tocantins, sentam-se lado a lado o senador Irajá Silvestre Filho e sua mãe Katia Abreu, que foi ministra de Dilma, ambos eleitos em chapa própria.

Estratégia para isolar

Está em curso uma estratégia para isolar candidaturas como do distrital Leandro Grass, à esquerda, e do senador Izalci Lucas, à direita, em um esforço para concentrar em torno de um só grupo a imagem de oposicionista na eleição deste ano. Seria a ideia de se firmar como principal oposição à chapa do governador Ibaneis Rocha. Em reunião no gabinete do senador Reguffe, os partidos União Brasil, Podemos, Cidadania, PSC e Novo firmaram o compromisso de caminharem unidos nas eleições deste ano. Estavam lá Manuel Arruda, do União, Cristian Viana e Luiz Pitiman, do Podemos, Luís Felipe Belmonte, do PSC, e Nélio Domingues, do Novo. Além, claro, dos três presumíveis candidatos majoritários, Paula Belmonte, José Antonio Reguffe e Paulo Roque – presumíveis, pois o senador Reguffe ainda não confirmou que cargo disputará.

Não fica por aí

Mas o esforço do grupo não para aí. Ainda é objetivo conseguir o apoio do PSB, impedindo que se repita no Distrito Federal a configuração nacional que apoia Lula. Por enquanto o PSB tem candidatura própria no Distrito Federal, com o ex-secretário Rafael Parente, mas a estratégia é evitar o fortalecimento da coligação petista com Leandro Grass. De quebra ainda se pretende conseguir apoio de uma fieira de partidos nanicos, a exemplo do já acertado PRTB.

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Quem é mesmo

Só para lembrar, o PRTB é o partido do recém-falecido Levy Fidelix, aquele defensor do aerotrem, que foi candidato em 14 eleições – duas delas a presidente da República – sem nunca conseguir eleger-se. Seu maior trunfo foi servir de veículo para a eleição do atual vice-presidente Hamilton Mourão, hoje no PTB. Fez o mesmo na primeira eleição do ex-presidente Fernando Collor para o Senado, em 2014, que também o trocou pelo PTB. No Distrito Federal, foi presidido pelo ex-senador Luiz Estevão e, nessa época, elegeu uma distrital, Liliane Roriz.

Com Bia

Os militantes do PRTB, pelo acordo, deverão votar em Paula Belmonte na eleição majoritária e ceder à sua coligação seus poucos segundos de horário eleitoral. Mas a deputada brasiliense Bia Kicis tem como certo seu apoio em sua campanha à reeleição.

Discurso de ódio

A ex-ministra Damares Alves postou um ataque ao ex-governador João Dória, a quem só se refere como “aquele que governou São Paulo”. Faz caretas pedindo que note como está triste. Aí, com um sorrido malvado, pergunta: “sabem porque eu estou triste? Porque eu queria que ele fosse esmagado nas urnas”.

Sem dobradinha

O ex-vice-governador Tadeu Filippelli visitou um antigo aliado político, o ex-deputado Rôney Nemer, que sofreu um acidente hospitalar e ficou semanas em Unidade de Terapia Intensiva. Agora, Rôney já consegue andar sem problemas e deve ser candidato a deputado federal. Os dois já fizeram várias dobradinhas eleitorais no passado, quando estavam ambos no MDB e mesmo depois, com Rôney já no PP. Agora será mais difícil.

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