Nessas cinco semanas que faltam para o primeiro turno, os marqueteiros podem fazer todo tipo de mágica nos telões. Mas é improvável que se mude, no Distrito Federal, o desenho estratégico que se delineou lá atrás, no primeiro debate dos candidatos, o da Band.
Sim, foi nele que ficou clara a opção dos principais candidatos brasilienses: a dos cinco contra uma. De lá para cá, todos mantiveram a mesma postura.
Apesar do temor de canibalizarem os votos um do outro, os dois candidatos de esquerda, Leandro Grass, do PT, e Ricardo Cappelli, do PSB, jamais se hostilizaram.
Mais do que isso, em momento algum avançaram sobre o capital de votos do ex-governador José Roberto Arruda, que supera a soma de ambos. De seu lado, Arruda (foto) nunca atacou a esquerda.
Pelo contrário, manteve com ela uma política de boa vizinhança, apostando que seria seu preferido em eventual segundo turno. Enquanto isso, bate duro em Celina, como fez nesta quinta-feira, 27, na Estrutural.
Afinal, Arruda está no PSD de Kassab, partido do Centrão, e o Centrão, no fundo, no fundo, tem boas relações com o universo de Lula.
Vale para o horário eleitoral
Embora ainda apenas esboçada, a temática de Arruda, Grass e Cappelli na programação de rádio e TV manterá a atual política de boa vizinhança.
Claro que Grass e Cappelli darão muito palanque à reeleição de Lula, até porque esperam se beneficiar com isso, mesmo com as dificuldades do presidente na capital.
Mas os três seguirão a mesma linha atual: explorar ao máximo a encrenca do BRB, criticar violentamente os serviços públicos, como a educação — queda no Ideb — e a saúde — fila nas cirurgias —, enquanto prometem contratar servidores e elevar salários.
Em resumo: entre eles valerá o atual armistício, e as críticas se concentrarão em Celina.
Paula aposta na “criatividade contra o relógio”
Com menos de 30 segundos no horário eleitoral da TV, Paula Belmonte (PSDB) aposta na criatividade para driblar o relógio.
A estratégia é usar as inserções para se apresentar, marcar posições e levar o eleitor às redes sociais, onde terá mais espaço para detalhar propostas e trajetória.
Saúde, educação, mobilidade, segurança, geração de emprego e combate à corrupção estarão entre os temas explorados na propaganda.
Em outras palavras, ela seguirá a mesma fórmula de Arruda, Grass e Cappelli, assim como não os atacará. Foi, inclusive, o que fez em sua extensa agenda de ontem, 27.
A campanha também pretende levar à TV apoios políticos à candidatura, entre eles o do ex-senador Reguffe.
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