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Do Alto da Torre

Dependência química afeta o bolso do estado

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O candidato a deputado distrital Henrique França (PSB) sabe que é polêmico levantar a principal bandeira de seu programa político: suporte aos viciados e suas famílias. Mesmo assim, ele defende que cuidar dos dependentes químicos e atuar na prevenção é a melhor forma de resolver, de uma vez, uma questão social, de segurança pública, de saúde pública e até de economia pública. “Todo o dinheiro usado para aquisição de drogas no Brasil volta para os países produtores na forma de evasão de divisas”, contextualiza. Com experiência empírica no assunto, ele promete estender a rede de apoio no DF com a continuação de políticas públicas que já desenvolve.

Você fundou a ONG Salve a Si, que cuida de dependentes químicos. Esse tipo de iniciativa vai ser a prioridade do seu eventual mandato?
Se for perguntar para mim minhas propostas para qualquer área, vou falar para você que a dependência química afeta todas as áreas, porque é problema seríssimo de saúde pública, segurança pública, social e também econômico. Pessoas que não convivem com essa situação costumam não estar nem aí, não têm o olhar misericordioso e acham que é problema dos outros e na casa delas não entra. Só que a droga afeta a qualidade de vida de todo mundo. Vivemos em estado de medo constante. Todo o dinheiro usado para aquisição de drogas no Brasil volta para os países produtores na forma de evasão de divisas. O dinheiro das drogas volta para Bolívia, Colômbia, Peru e Paraguai e nos deixa economicamente menos saudáveis. Estamos cada vez com a qualidade de vida reduzida.

Alguma proposta geral para a Saúde Pública?
Quando as pessoas vem até a mim, eu digo que sou bem específico. Sou especialista em dependência química e cuidados com famílias com dependentes. Até porque, se olhar para a Saúde Pública, ninguém cuida disso. Chega um dependente químico num hospital e nem é atendido porque dizem que foi escolha dele. O direito constitucional a saúde é de todos. Primeira coisa que vou fazer é dar celeridade ao processo que já iniciei. Fundei a ONG Salve a Si, saí dela ano passado. Fui nomeado conselheiro de políticas sobre drogas na Sejus e iniciei um projeto da minha autoria que tramita na Casa Civil e na secretaria de Saúde em que as pessoas que precisam de tratamento terão local específico com uma equipe multidisciplinar para orientar. Se é transtorno psiquiátrico, vai para internção, se quer sair do meio urbano porque não consegue interromper o consumo, vai ser encaminhado para uma comunidade terapêutica que tem convênio com o governo. Eu vou resolver do que eu entendo, não vou sair mentindo.

É contra a legalização de drogas como ferramenta de enfrentamento?
No Colorado, estado dos EUA, aumentou em 80% a incidência de crianças com intoxicação por maconha, por consumirem artigos feitos com uso de cannabis, como bolinhos e biscoitos. No Uruguai, a droga pode ser vendida em farmácia, mas a pessoa compra e depois revende. Quem quer fumar o cigarrinho não quer pagar imposto. Querem trazer isso para o Brasil do jeito como a velha indústria do tabaco funcionava. Falam que a legalização da cannabis vai diminuir a criminalidade, mas eu quero que eles me provem.

Então não é o caminho, apesar do combate ao tráfico como é feito matar muita gente?
Sim. Enquanto não legalizar segurança, saúde e educação não podemos os legalizar drogas, porque triplicaria o número de usuários. Outra coisa é que não temos uma polícia de fronteira. A Polícia Federal faz um trabalho primoroso, mas falta recurso físico, equipamento, e a maneira como se faz é equivocada. Prende-se uma tonelada de droga, mas passam 150 toneladas. Tem que ter uma polícia de fronteira especializada.

Mas essas propostas não seriam mais adequadas para um candidato à presidência do que para distrital? Como regionalizar a questão?

Todas as minhas emendas parlamentares – fiz uma promessa – vão ser para política anti-drogas. É a prioridade não deixar que as crianças adentrem o mundo da droga. Temos que tratar as pessoas com a doença e depois dar garantias de empoderamento das famílias que têm dependentes. Quero trabalhar com a polícia civil, ajudando.


PCO pede música
Pela terceira eleição seguida, um candidato ao Governo de Brasília do PCO teve a candidatura impugnada e o registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF). A bola da vez foi o bancário Renan Rosa, que em 2010 foi postulante a segundo suplente de senador pelo PCO, mas também não prosseguiu com a candidatura, já que renunciou. A diferença desta eleição para a última é que, assim como em 2010, toda a chapa do partido foi barrada, sob alegação de falha na prestação de contas dos últimos pleitos.

14 a menos

Ao todo, o PCO havia construído a chapa puro sangue com 14 nomes. Um candidato a governador e seu vice, um senador e dois suplentes, quatro postulantes a deputado federal e cinco a deputado distrital. Dos quadros apresentados para 2018, o mais expressivo era Expedito Mendonça, que já tentou o governo e o senado no passado e não poderá mais concorrer a uma cadeira na Câmara Legislativa.

MDB sabatinado
Principais apostas do MDB para o Governo de Brasília e para a Câmara Legislativa, respectivamente, Ibaneis Rocha e Wellington Luiz responderam a perguntas do Sindicato dos Empregados e Servidores públicos do DF (Sindser) sobre conteúdos programáticos, em evento no Teatro Dulcina. Eles ouviram reivindicações dos presentes e prometeram atender. “As carreiras que participam das estruturas do governo de Brasilia, não podem ser lembradas apenas em momentos de eleição”, alertou o deputado Wellington Luiz, que ainda promete “continuar defendendo o servidor” em um eventual segundo mandato.


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