Ex-diretor do Instituto Fiscal Independente, oráculo do Senado, o economista Felipe Salto mostrou que, em dezembro de 2023, houve até um aumento na arrecadação do governo federal, como queria o ministro Fernando Haddad.
“No mês de dezembro, em específico, houve desempenho positivo da arrecadação, pois a receita total cresceu 3,6%, sendo que as administradas pela Receita Federal avançaram 7,3% em termos reais” diz ele.
No entanto, o pagamento de R$ 92,3 bilhões de precatórios afetou especialmente as rubricas de benefícios previdenciários, pessoal e sentenças judiciais e precatórios (custeio e capital), contribuindo para o aumento de 72,3% na despesa total na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Os aportes a Estados e Municípios, que somaram R$ 7,6 bilhões no mês, e o crescimento real de 65,1% das despesas discricionárias, que totalizaram R$ 37,6 bilhões.
Foi por isso, resume Felipe Salto, que, somando-se o resultado de dezembro, o déficit primário em 2023 atingiu R$ 230,5 bilhões, ou 2,1% do PIB, um recorde só superado no primeiro ano da epidemia de Covid.