Apressou-se a senadora brasiliense Damares Alves a negar que esteja prestes a se licenciar do mandato para dar lugar ao suplente, o presidente regional do União Brasil, Manoel Arruda, em cumprimento a um acordo que deu sustentação à sua candidatura. Haveria até uma razão para isso.
Damares confirma que terá participação ativa para apoiar candidatos aliados durante as eleições municipais de 2024. Quer, admite, “eleger o máximo possível de candidatos conservadores e que estejam alinhados às mesmas causas defendidas pela parlamentar brasiliense”.
Diz ainda que não estão definidos os locais que ela deve percorrer, e tampouco quais candidatos deve apoiar, decisão que deve ser tomada em diálogo constante com o partido.
Faz questão de dizer, porém, “que não há necessidade, legal ou de conveniência, de afastamento do mandato, uma vez que as atividades de campanha e parlamentar serão realizadas concomitantemente no período eleitoral”.
Diante disso, Damares “reafirma os compromissos firmados com o eleitor brasiliense e com todos os segmentos que a apoiaram no pleito de 2022, em especial o de conduzir um mandato técnico, engajado e ativo na defesa de valores cristãos, tão caros à família brasileira”.
Nem é tão absurdo assim
Se Damares não pretende abrir vaga para o suplente, isso é, evidentemente, direito dela. Mas a expectativa permanece. É que, dos 81 senadores em exercício, nove são suplentes. E costumam existir também acordos, nunca oficiais, pelo qual os suplentes ajudam a pagar a campanha e, em troca, os titulares cedem algum tempo do mandato a eles. Isso já aconteceu com onze dos demais senadores. De quebra, a ideia de se abrir um tempinho para o presidente regional do União Brasil circula desde antes da escolha de Damares como candidata. Quando o União Brasil colocava obstáculos à reeleição do antecessor dela, José Antonio Reguffe, a tese foi colocada. Mas se Damares diz que não, depende só dela decidir.