Não se pode negar que a senadora brasiliense Damares Alves seja rápida no gatilho. O ministro Alexandre de Moraes mal terminara seu primeiro pronunciamento na sessão desta terça-feira, 25, no Supremo Tribunal Federal, e ela já dava entrevista coletiva cobrando que Moraes renunciasse ao cargo até as 18h.
A declaração foi feita após audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado que debateu os desdobramentos de julgamentos da Corte. “O Senado Federal, a Câmara, o Congresso não poderiam ficar ausentes nesse dia histórico para o Brasil”, disse Damares, explicando que a audiência foi a única forma de abrir os microfones para os parlamentares debaterem a situação.
Claro, a renúncia não aconteceu nesse prazo, e a comissão voltará a se reunir. Para Damares, a renúncia de Moraes permanece como a melhor solução para o atual cenário político. “Nosso grande desejo é que ele renuncie. Porque aí já acaba com tudo, o Brasil volta a caminhar”, afirmou.
Caso o ministro não venha a renunciar, o que parece agora mais difícil, a senadora pediu a abertura de um inquérito para que ele possa se explicar sobre as acusações de que sua esposa teria se encontrado com advogados de acusados em processos sob sua relatoria.
Izalci cobra mais pressão
Damares não foi a única. O também senador brasiliense Izalci Lucas cobrou não só o afastamento de Moraes, mas também o avanço do processo de impeachment no Senado. Izalci afirmou que o próprio Supremo precisa tomar uma atitude para preservar a credibilidade da instituição e dar uma resposta à sociedade.
“O Supremo tem que tomar vergonha e realmente dar exemplo à população, afastando Alexandre de Moraes. E, se isso não acontecer, nós vamos fazer isso no Senado”, afirmou.
O senador também avisou que a oposição está disposta a aumentar a pressão dentro do Congresso caso o processo de impeachment não avance. Segundo ele, os parlamentares poderão recorrer à obstrução para impedir a normalidade dos trabalhos da Casa.
“Nós vamos pressionar, vamos obstruir. Não vamos aceitar que empurrem com a barriga essa questão do Supremo Tribunal Federal, em especial a situação de Alexandre de Moraes”, declarou.