Partiu de um deputado brasiliense, o professor Paulo Fernando,
proposta que obrigaria todo lobista a usar crachá para circular pelo Congresso. Já houve várias propostas de regulamentar o lobby no passado, a começar por uma apresentada pelo então senador Marco Maciel. Essas propostas iam além do uso do crachá, prevendo inclusive a adoção de uma série de normas éticas.
O projeto de Paulo Fernando se resume a uma emenda ao regimento interno da Câmara dos Deputados, exigindo “identificação das pessoas físicas que exerçam, dentro da Câmara, atividades tendentes a influenciar o processo legislativo”.
O crachá deve apontar quem o lobista representa. A medida foi bem recebida por entidades que defendem os lobistas. Claro, o uso do crachá facilitará aos lobistas a entrada e a circulação no palácio do Congresso.
Vale para a arraia miúda
O problema está em que a esmagadora maioria dos lobistas não se apresenta como lobistas. São empresários, funcionários de ONGs, servidores do próprio Congresso e, em crescente quantidade de casos, ex-parlamentares que, também em termos regimentais, podem circular livremente até pelos plenários e mesas diretoras.
Em um dos principais lobbies hoje atuantes no Senado, o de liberação dos cigarros eletrônicos, o principal defensor da proposta – e das empresas fabricantes das engenhocas – apresenta-se como presidente de uma ONG dedicada de combate ao fumo. A verdade é que aos grandes e mais eficientes lobistas jamais ocorreria a ideia de se identificar com essa categoria. Ostentam títulos mais redundantes e até os de tesoureiros de grandes partidos.