Retornando do Rio Grande do Sul, o senador brasiliense Izalci Lucas estava disposto a dar dor de cabeça ao governo Lula. Foi à tribuna na terça-feira para revelar o temor de encarecimento de arroz porque os gaúchos fornecem ao país 70% do consumo do produto.
“E, aí, o que o Governo fez? Importou mais de R$ 1 bilhão em arroz – não sei se da China, não sei de onde – de péssima qualidade e com um preço acima do que se compra no mercado. Se você for ao mercado hoje, você compra o quilo do arroz mais barato do que aquele que Governo comprou. E, por incrível que pareça, quem ganhou a licitação para isso foram mercearias, botecos e empresas sem a mínima condição, sem terem estrutura nenhuma, que estão recebendo agora R$ 700 milhões, R$ 300 milhões. São empresas que foram credenciadas agora, em maio. No dia 31 de maio, uma empresa, com um capital de R$ 80 mil, foi credenciada e ganhou a licitação do arroz de R$3 70 milhões; é uma empresa, sem desmerecer, lá do Amapá. Botecos e outras ganharam também sem a mínima condição”.
E aí vem o mais grave: segundo Izalci, não era necessário adquirir esse arroz, porque o Rio Grande do Sul já tinha colhido 86% da safra do arroz, ou seja, não ia faltar produto no mercado.
Três derrotas em seis horas
Nesta quarta-feira, 12, Izalc voltou à tribuna. Para comemorar. “O Brasil acordou”, disse. Ele se referia, primeiro, à anulação do leilão de arroz importado realizado pela Conab conforme sua denúncia e a demissão do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, pediu demissão diante das suspeitas comentadas pelo próprio Izalci.
Para o senador brasiliense, “a anulação do leilão do arroz, cujo maior beneficiado já fugiu do país, foi uma vitória da população, que, em menos de uma semana, graças à liberdade de opinião e expressão garantida pela nossa lei maior, a Constituição Federal, ficou sabendo do trambique e forçou a decisão”.
Izalci se referia também à devolução da medida provisória que limitou a compensação de créditos de PIS/Cofins, apelidada de Medida Provisória do Fim do Mundo, por impor um ônus adicional ao setor produtivo que emprega e desenvolve a nossa economia. “Agora”, disse o senador, “o alerta sobre os maus feitos vai continuar, porque o povo acordou, se informa com rapidez”.