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Do Alto da Torre

Como quem não quer nada

Uma hora atrasado – culpou o trânsito – Rodrigo Rollemberg (PSB) chegou às 9h ao comitê de campanha do partido no SIA, Trecho 6, para incitar os candidatos não eleitos da legenda a irem às ruas trabalhar pela reeleição do chefe do Executivo. “Foi nove contra um, mas com a garra de vocês chegamos ao segundo turno”, afagou, para depois cobrar: “Vamos recrutar o exército de voluntários para trabalhar com dedicação, como já fizemos”. Figuras como a distrital Luzia de Paula, a senadora eleita Leila do Vôlei, os postulantes à Câmara dos Deputados Maria de Lourdes Abadia e Marcos Dantas, além do presidente regional, Tiago Coelho, estavam enfileirados na plateia.

Reforço militar
Em seguida, Rollemberg subiu dois lances de escada para formalizar o apoio de candidatos policias militares e bombeiros que não tiveram sucesso no pleito. Os porta-vozes foram o Sargento Eliomar Rodrigues (PTC) e o Major Paulo Thiago “Caveira” (PTC), que tentaram ser federal e distrital, respectivamente. Ambos são apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL). Enquanto isso, na tendinha onde os correligionários de Rodrigo permaneciam, os debates sobre estratégias para a campanha de reeleição se iniciaram, mediados por Tiago Coelho.

Caldo desandou
Depois que Rollemberg deixou a reunião com os militares, a reportagem retornou para a reunião da cúpula partidária e ninguém se mostrou incomodado com a presença da imprensa. A partir dali, passamos a companhar as deliberações, que alternaram de proposições para evoluir àintenções de voto do governador e até uma caça às bruxas. Abadia, que durante muitos anos esteve no PSDB, foi uma das primeiras a se indignar. “Eu me senti deprimida, triste e horrorizada de ter perdido para Celina Leão (PP) e para esse outro que mora nos EUA”, resmungou.

Trairagem
Abadia se ressentiu por ter, segundo ela, introduzido a Leoa na política, como secretária da Juventude do PSDB. A ex-governadora ainda sugeriu que Celina tinha falado mal dela em algum momento. Celina confirmou ter exercido a função no PSDB, mas negou que tenha tido problemas. “Sempre tivemos ótima relação”, garantiu. Questionada posteriormente, Abadia negou a crítica à recém-eleita deputada federal e disse ter carinho por Celina, mas reafirmou o ressentimento pelo povo ter escolhido a criatura em vez da criadora.

Cibernético
“Esse que mora nos EUA” é Luis Miranda (DEM), também eleito deputado federal à frente de Abadia. Ela disse ter “achado incrível” ter sido preterida por ele. “A gente que trabalhou a vida inteira por Brasilia, na parte social, fui vice-governadora e governadora, e aparece uma pessoa dos EUA, que nem veio aqui para pedir um voto, e consegue? É uma tristeza pela cidade”, reafirmou, quando questionada sobre as declarações proferidas na reunião. Durante a reunião, ela também se disse irritada com a população do Sol Nascente e do Condomínio Pôr do Sol pela votação pouco expressiva.

Entre quatro paredes
Ao fim da fala de Abadia, a roupa suja começou a ser lavada internamente. As ausências dos deputados distritais eleitos Roosevelt Vilela e José Gomes, que estariam “esfriando” após a campanha intensa, foi criticada. Vários quadros também reclamaram de correligionários que se valeram da máquina partidária para pedir votos, mas apoiaram nomes de outros partidos para federal, e citaram Paula Belmonte (PPS).

Bola fora
Neste instante, Leila do Vôlei fingiu que não era com ela, já que a própria senadora é amiga de Belmonte e fez seguidas aparições públicas com a agora deputada durante a campanha. Vilela também tem parte nesse latinfúndio. Alguns propuseram “passar um pente fino” nas fileiras do partido para escantear os infiéis. Deve sobrar apenas para pé de chinelo.

A culpa é do PT
Como uma das estratégias de campanha, o PSB vai voltar as atenções para um dos maiores aliados de Ibaneis, o presidente do MDB-DF Tadeu Filippelli, vice-governador de Agnelo Queiroz (PT) entre 2010 e 2014. Tentarão usar o antipetismo e a associação passada dos petistas ao MDB para ligar Ibaneis ao elefante branco de Brasília, o Estádio Mané Garrincha. Ademais, tentarão assumir posição de neutralidade na disputa pela presidência, mas sem usar a palavra neutralidade, que viraria “doce na boca da oposição”.

Pedrosa é exemplo
Eles lembraram que a “simples menção à palavra estádio” fez que Eliana Pedrosa (Pros), então líder das pesquisas para o Governo de Brasília, passasse de de “23% para nada” na reta final do primeiro turno.

Rollemberg Bolsolula
Sobre possíveis impedimentos morais para receber apoio de seguidores de Bolsonaro, parte da cúpula tratou de se eximir de qualquer culpa ao fazer um daqueles saltos lógicos de dar inveja. “Nas pessoas que apoiam Bolsonaro, prepondera o discurso da ética e da moral, e o Rollemberg tem todos esses predicados. Quem apoia o Haddad não quer retrocesso e também vê essa qualidade no nosso governador”, discursou um gênio não identificado.

Pesou a consciência
Articulador político de Rollemberg, Marcos Dantas tomou as rédeas da situação e lembrou a todo mundo o que militar pelo PSB, de fato, significava. “Esse papo de não ter lado para nada não vai trazer a reeleição”, reclamou. De fato, é só lembrar o desempenho pífio de Geraldo Alckmin (PSDB) na corrida pela presidência depois de investir na campanha do “nem um, nem outro”. Foi sensato, mas ninguém pareceu convencido. Entre outras deliberações de mobilização de voluntários e afins, o encontro se encerrou antes do horário do almoço e cada um foi para seu canto.

Caça às bruxas
Nomes fortes do PSB-DF, como Abadia e Marcos Dantas, estão chateados com a derrota nas urnas. Membros mais exaltados defendem um “pente fino” nas fileiras socialistas e até jogar para escanteio quem se valeu da máquina partidária para fazer campanha, mas não estendeu a mão aos companheiros.

Enquanto isso no Tucanistão…
Dois horizontes de poder se desenham para o PSDB nacionalmente. Se faturar o governo de São Paulo, João Dória, deverá assumir a presidência nacional do partido. Afinal será responsável por manter os tucanos na primeira divisão política. Se perder, a batuta deverá ir para as mãos do prefeito de São Paulo, Bruno Covas. O próprio Fernando Henrique Cardoso já declarou que a condução do partido nesta fase deverá estar com personagens com mandato na mão. Ou seja, o atual presidente nacional Geraldo Alckmin deverá deixar o palco.

… E na embaixada brasiliense
No DF, o futuro do correligionário recém-eleito senador Izalci Lucas é uma incógnita. O parlamentar sempre fez política com os olhos no quintal brasiliense. Nunca gastou energia com o jogo nacional. Izalci enfrentou pressões dentro e fora do partido para disputar um cargo majoritário. Passou por cima de tudo enquanto seus adversários perderam nas urnas. E ainda selou uma aliança com Ibaneis no segundo turno. Agora, membros do diretório nacional calculam que ele possa deixar o partido na primeira janela eleitoral que se abrir. Afinal, o futuro senador sonha com o GDF.

Eliana libera
Ex-candidata ao Governo do DF, Eliana Pedrosa (Pros) ficará neutra no 2º turno da eleição. Também decidiu liberar seus apoiadores do 1º turno para caminhar junto com os candidatos ainda no páreo. Ou seja, podem escolher entre Ibaneis Rocha (MDB) ou governador Rodrigo Rollemberg (PSB). No início da corrida eleitoral, a candidata do Pros despontou na liderança das pesquisas de intenção de voto. Contudo, a campanha derreteu na reta final do 1º turno em função de uma série de controvérsias. O ponto de ignição foi a revelação que o plano de governo previa a construção de dois “estádios”.

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