Desde o lançamento da candidatura ao Buriti do ex-interventor Ricardo Cappelli, estabeleceu-se um clima de competição com a federação PT-PV-PCdoB, que se fixou em Leandro Grass para cabeça de chapa. Tradição e força da militância foram sempre os argumentos mais usados pelo PT para cobrar prevalência.
Ambas as cúpulas insistiram nas escolhas como reivindicações inamovíveis dos partidos. Só às vésperas das convenções, o presidente nacional petista, Edinho Silva, tentou assumir o controle do diálogo. Nem foi recebido pelos caciques do PSB brasiliense.
O clima da convenção do PSB, na noite de segunda-feira, mostrou que a independência falava mais alto. O deputado Rodrigo Rollemberg deu o tom ao avisar que o PSB está de portas abertas para Leandro Grass ser vice de Cappelli.
O próprio Cappelli, ao ser sagrado candidato, encerrou a polêmica. Mostrou: “eu tenho muito respeito pela militância do PT. E muitos militantes vem no meu ouvido, baixinho, e falam: Cappelli, eu sou do PT, mas vou votar em você. Todo dia, todo dia eu ouço isso”.
Não ficou por aí: “nós queremos a unidade. Agora, veja, o PT já lançou a deputada Erika Kokay ao Senado. O PDT lançou a senadora Leila a reeleição. Não é razoável que o mesmo partido queira indicar um senador e um governador. O razoável é que um partido indica o senador. O segundo indica o outro senador e o outro indica o governador. O PSB não está reivindicando indicar um senador, pois o que nós estamos reivindicando tem uma palavrinha chama unidade, unidade não se confunde com submissão, unidade não se confunde com imposição. Nós queremos, nós queremos construir a unidade, nós queremos construir a unidade para reeleger o presidente Lula e para ir ao segundo turno aqui no título federal para ganhar a essa eleição”.
O ex-senador Cristovam Buarque endossa esses argumentos e completa: Cappelli mostrou firmeza e tem muito mais condições de êxito em um segundo turno que o candidato do PT, já tendo mostrado mais firmeza e diálogo como interventor após o 8 de janeiro.
PT ainda tentará ampliar coligação (foto)
O candidato ao Buriti pela federação PT-PV-PCdoB, a ser referendado hoje, Leandro Grass, tem pronta uma mensagem que toca na ampliação de sua frente partidária, mesmo após o lançamento de Ricardo Cappelli.
“Já temos uma coligação de 5 partidos, estamos crescendo nas pesquisas há meses e continuamos”, avisa Grass. Esse “continuamos” é o recado central que não apenas o PT brasiliense, mas o Palácio do Planalto, está enviando a todos os possíveis aliados, ainda que de última hora.
O comando nacional petista cataloga como vitórias as declarações de neutralidade que evitaram coligações capazes de reforçar candidaturas presidenciais oposicionistas, em especial a de Flávio Bolsonaro. Já se conseguiu a neutralidade de quase todo o Centro, vale dizer, o Centrão.
Na lista do Planalto estão PP, União Brasil, Republicanos, MDB e uma fieira de outros partidos. Grass se junta a esse tema. Avaliou, nesta terça-feira, 4, que “estamos ampliando o grupo de partidos”.
Na convenção de hoje, antecipa, “lançaremos uma coligação forte e ampla”. Ele já conta, claro, com as três legendas da federação petista, mais PSOL e Rede.
A convenção de PT-PV-PCdoB foi adiada na expectativa, não mais de um acordo-surpresa com o PSB, mas da adesão formal do PDT, o que incorporaria definitivamente a senadora Leila do Vôlei à coligação. Mas Grass torna claro que, mesmo que a médio prazo, está pensando em mais partidos.
Conversa de pé-de-ouvido no PDT
Marcada para as 18h30 deste dia 4, a convenção do PDT brasiliense atrasou mais de hora e meia, tantas eram as conversas de pé de ouvido visando à unidade das esquerdas.
A senadora Leila Barros, lançada em seguida para a reeleição, demorou para iniciar os trabalhos por causa de uma longa conversa com o candidato do PT ao Buriti, Leandro Grass. O tema era como reforçar as coligações.