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Chapa desenhada

Os objetivos políticos de Ibaneis e de Flávia coincidem, o que contribui para aplainar quaisquer arestas

Por Eduardo Brito 05/01/2022 5h00
Foto: Renato Alves / Agência Brasília

Foi em um jantar na casa do governador Ibaneis Rocha, pouco antes do final do ano, que se desenhou enfim a chapa majoritária para as eleições deste ano no Distrito Federal. Ainda não é oficial, claro, mas o governador buscará a reeleição, tendo a ministra Flávia Arruda (foto) como candidata ao Senado. A partir dos partidos de ambos, MDB e PL, já se delineia um amplo arco de alianças.

Objetivos semelhantes

Os objetivos políticos de Ibaneis e de Flávia coincidem, o que contribui para aplainar quaisquer arestas. Ao concluir o segundo mandato, o governador é candidato natural ao Senado, caso deseje. Como senadora, em meio do mandato de oito anos, Flávia também será candidata natural ao Buriti. Afinal, a maioria dos senadores tende a disputar governos ou mesmo prefeituras no decorrer do seu mandato, não só para aproveitar o reconhecimento do nome e a força eleitoral demonstrada ao vencer uma disputa majoritária, mas também para não ficar tanto tempo longe dos eleitores.

Vice na espera

Ainda não há qualquer definição para vice-governador. Na conversa, de que participou também o ex-governador José Roberto Arruda, foram citados vários nomes, mas não houve pressão por nenhum. O ex-senador Paulo Octávio recebeu muitos elogios, em especial de José Roberto Arruda, de quem foi companheiro de chapa, mas lembrou-se que ele não pretende ser vice novamente. Sua preferência é o Senado. O atual vice-governador Paco Britto tem a confiança dos três participantes da conversa. Mas a questão ficou em aberto e deve demorar a vir uma definição. Afinal não faltam interessados para ocupar uma função que, com a provável desincompatibilização de Ibaneis para concorrer ao Senado, ganhará um mandato tampão de nove meses. No mínimo.

Evangélicos

Como sempre acontece ao se definir chapas majoritárias, grupos evangélicos pleiteiam uma vaga, no caso a vice. Já circula até um nome, o do ex-deputado Robson Rodovalho, que não assumiu candidatura – nem à vice, nem a outro cargo, ao menos por enquanto. De toda forma, embora os evangélicos tenham muito voto no Distrito Federal, ainda não há qualquer unidade das suas diversas correntes políticas nessa reivindicação. Nem em outras.

Aniversário político

O deputado distrital Reginaldo Veras comemorou em clima político seu 49º aniversário, em uma festa em Ceilândia. Quem participou da festa foi o ex-governador Rodrigo Rollemberg, agora candidato novamente a deputado federal. Nas eleições passadas eles estiveram no mesmo palanque e há entendimentos para que PDT e o PSB de Rollemberg formem uma aliança. Por enquanto, os dois partidos dizem que têm candidatos próprios ao Buriti, mas Veras e Rollemberg (foto) vêm conversando sobre estratégias políticas.

Mudanças ministeriais

Nem bem começa o ano e já se delineia uma reforma ministerial. O senador Luiz Carlos Heinze, do PP gaúcho, pode se tornar o novo ministro da Agricultura. Trata-se, na verdade, de uma manobra do Planalto para evitar divisão de votos bolsonaristas no Rio Grande do Sul. Ao contrário da maioria dos estados, duas candidaturas ameaçam rachar essa corrente de eleitores, a de Heinze e a do ministro Onix Lorenzoni. Heinze é até considerado mais forte do ponto de vista eleitoral, mas Onix está mais afinado com o núcleo duro do governo.

Cintos apertados, mas nem tanto

A Câmara Legislativa do Distrito Federal foi citada no Ministério da Economia, hoje empenhado em barrar qualquer reajuste para servidores públicos. É que a Câmara manteve para 2022 os salários tanto de deputados distritais quanto de funcionários. A remuneração dos distritais ficará em R$ 25.322, a mesma desde 2016. Faltou lembrar que os deputados contam ainda com a verba de gabinete, de R$ 163.139 mensais. Esse dinheiro também está congelado, mas pode ser usado para diversas finalidades, inclusive despesas dos deputados com restaurantes, transportes e alugueis.

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Novo contra o liberalismo

A distrital Julia Lucy endossou uma bandeira de seu partido, o Novo, ao assegurar que isenção fiscal nada tem a ver com redução da carga tributária, proposta do liberalismo clássico. Para ela, “básico para liberais é reduzir tributos, mas isenção fiscal não é subsídio, pois este pressupõe a redistribuição de recursos tomados nos impostos. Já aquela, a retirada de uma barreira à produção. Se queremos carros elétricos no lugar dos de combustão, o mínimo, é não os encarecer com o IPVA”.








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