A campanha da governadora Celina Leão chega à reta final das convenções com um desenho definido e com o apoio de 11 partidos que se comprometeram com ela antes mesmo de o antecessor Ibaneis Rocha desistir da campanha ao Senado.
A grande festa do sábado, em Ceilândia (foto), confirmou que Gustavo Rocha, filiado ao Republicanos, será o vice, e que as vagas no Senado estão destinadas a Bia Kicis, que também estava lá, e Michelle Bolsonaro. Ficou claro, ainda, que o MDB manterá o apoio a Celina, como dez outros partidos que haviam se composto com ela desde o início.
No palanque estavam a senadora Damares Alves, do Republicanos, e candidatos de uma fieira de partidos, incluindo União Brasil, PL e PP, além de legendas menores. Celina deu uma resposta à oposição de esquerda ao afirmar que não esconde problemas, que escuta críticas e que tenta enfrentar todas, uma a uma.
Falta Michelle no palanque
Como se previa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não compareceu ao comício. Ela não tem aparecido em nenhum evento eleitoral. Mas já avisou às amigas Celina e Damares que pretende, sim, ser senadora pelo Distrito Federal.
Aparentemente, não há restrições domésticas, familiares, para que Michelle venha a ocupar o cargo de senadora – ao contrário, pode ser estratégico para os objetivos da família e, principalmente, do marido Jair.
As ausências de Michelle têm sido minimizadas pelo fato de que ela encontra dificuldades para sair de casa, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes impediu a contratação de cuidadores ou serviçais para atender ao ex-presidente em detenção domiciliar. Por isso mesmo, Celina tem dito que ela pode fazer campanha até sem sair de casa.
Sua eleição é dada como garantida e comprovada pelas pesquisas – as confiáveis, não as que circulam por aí.
MDB deve ficar com a governadora (foto)
Desde que o ex-governador Ibaneis Rocha recorreu contra a chapa tripla, em que sua eleição ficaria ameaçada pela dupla Michelle-Bia, a Executiva nacional do MDB criou uma comissão especial para dar a última palavra sobre as chapas do partido no Distrito Federal. Isso poderia até impulsionar voos do único deputado federal brasiliense do MDB, Rafael Prudente.
Quando Ibaneis desistiu de vez, esse redesenho também murchou. Os emedebistas refluíram para Celina, que, afinal de contas, tem a caneta do governo nas mãos.
Uma entrevista de Prudente, que circulou nesta segunda-feira, sacudiu esse quadro, pois ele falava em “insatisfação de lideranças com o espaço ocupado pelo partido na base do governo local”. Cobrado pelos correligionários, o deputado disse que era uma conversa antiga e que está se concentrando em sua reeleição.
Isso tranquilizou o partido, inclusive sua figura mais importante, o presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (foto). Na verdade, os distritais da legenda estão com Celina e o próprio Wellington avisa que tem compromisso com a governadora.
A questão que se coloca é a possibilidade, que pode parecer improvável nesta altura do campeonato, de Michelle desistir de vez. Nesse caso, a segunda vaga de senador na chapa estará reaberta. E, agora, sem uma opção clara para ela. Pode até ir, como se previa sob Ibaneis, para o MDB.
Dificuldades senatoriais
A campanha de Celina Leão aposta na presença de Michelle e, ostensivamente, não tem um plano B para a hipótese de que ela deixe de concorrer. A própria Celina lembra que, se houver problemas para a campanha, Michelle tem como se eleger sem sair de casa.
Mas, em política, não existe hipótese impossível. Já está em aberto a possibilidade de que o MDB pleiteie a vaga. Mas o candidato natural, Rafael Prudente, tem reeleição para a Câmara praticamente assegurada.
Muita gente duvida de que ele sacrifique uma cadeira certa por uma batalha a partir do zero. O próprio partido tem suas dúvidas. Mas existe um candidato natural dentro do próprio PL, o partido de Michelle: o senador Izalci Lucas é candidato a governador e se filiou à legenda com essa promessa.
Mas, se vagar a vaga da ex-primeira-dama, pode pleitear a reeleição.