Começa agora o horário eleitoral de televisão e rádio, que constitui um trunfo significativo para a fase final das campanhas. Mesmo não tendo o mesmo peso do período pré-internet, permanece fator essencial nesses exatos 40 dias que faltam para o primeiro turno.
Calculado a partir das bancadas dos partidos comprometidos com cada candidato, o tempo no Distrito Federal favorece a governadora Celina Leão (foto). Ela terá 5 minutos e 11 segundos do horário padrão diário, graças à força numérica de PL, MDB, Republicanos e PP.
Vem a seguir a coligação de Leandro Grass, puxada pelo PT e reforçada por PSOL e PDT, com 1 minuto e 57 segundos. Por conta do PSD, José Roberto Arruda garante 57 segundos.
Ficam quase empatados Ricardo Cappelli, só com o PSB, com 27 segundos, e Paula Belmonte, do PSDB, com 25. Claro, o peso maior, de longe, está com os três primeiros. Os outros candidatos sobram.
Celina já conta com planos precisos. Apresentará sua vida pessoal e sua trajetória política, desde os tempos de Roriz, mas valorizando as medidas tomadas nesses meses de governo e seus projetos para o futuro.
Vale para as inserções
A mesma proporção vale para as inserções, aquelas peças rápidas, que duram segundos, fora do horário principal, dividido entre o programa da manhã e o da noite.
O time de Celina terá 566 inserções, e o de Grass (foto), 213, seguido por Arruda, com 105. Uma vez mais, Cappelli fica com 45, quase junto às 51 de Paula.

O time de Grass, por exemplo, espera compensar o número menor de inserções com o uso de recursos tecnológicos que permitam transmitir o máximo de informações em menos tempo, com recursos visuais sofisticados que complementem os textos de áudio.
É o modelo que deve ser adotado também na campanha presidencial, mesmo sendo menos pressionada pelas restrições de tempo.
Qualidade é o que importa
Claro que a qualidade da programação é o que interessa. Às vezes, programas mais longos, se mal dirigidos, tornam-se peças chatas, até contraproducentes. Não é a regra, porém.
Quem conta com mais tempo pode sempre dar melhor seu recado e atrair a atenção do eleitor. Nesse caso, o bom uso do tempo decide a eleição.
Na capital, o time de Celina pretende valorizar medidas de grande popularidade que já adotou, como, entre outras, cortar gastos com eventos para usar os recursos na contratação de médicos.
É o caso também do programa de assistência a moradores de rua, que envolve a proteção da população contra a criminalidade causada pelos dependentes químicos, medida comprovadamente popular.
A verdade é que campanhas inspiradas podem até virar o jogo. Muitas são memoráveis, como as feitas em Goiás, quando Marconi Perillo saiu do nada para virar governador, ou em São Paulo, quando Duda Mendonça ressuscitou Paulo Maluf e o fez prefeito.
Vale no sentido inverso. O marqueteiro João Santana virou o jogo para Dilma ao estraçalhar a ascensão de Marina Silva. Tudo mágicas da TV e do rádio.