Após o presidente Lula negar formalmente aval para a operação de resgate do Banco de Brasília, a governadora Celina Leão (foto) acusou-o nesta quinta-feira, 17, de “pensar pequeno e partidariamente”. Mostrando-se decepcionada, Celina lamentou a postura “de um presidente da República que quer quebrar o BRB”.
Afinal, completou a governadora: “Eu pensei que ele fosse presidente do Brasil e pensei também que os brasilienses fossem brasileiros. Pensei que o DF fizesse parte da República Federativa do Brasil, mas pra ele, não. Age como presidente de um partido”.
Só para lembrar, na noite de quarta-feira, 16, Lula fazia um comício da campanha petista em Ceilândia quando atribuiu a crise do banco à relação entre o ex-governador Ibaneis Rocha e o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro. Ao lado dos candidatos ao Buriti, Leandro Grass, e ao Senado, Lula não poupou a própria Celina.
No palanque, disse que “a governadora, de forma cínica e mentirosa, tenta jogar a responsabilidade no governo federal, pois quem quebrou o BRB foi a ligação entre o Ibaneis e o Vorcaro do Banco Master, mas nós não vamos deixar de pagar o Bolsa Família, não vamos dar dinheiro pro BRB”. Foi por conta desse ataque que Celina se revoltou.
Para os Correios, sim, para o BRB, não
No mesmo tom, Celina Leão registrou que Lula “ajuda, pela segunda vez, o Correios, mas se recusa a dar um aval para um empréstimo ao GDF”. A constatação da governadora é de que “ele pensa pequeno e partidariamente e eu esperava que ele agisse como presidente da República e não como cabo eleitoral de um candidato que nada fez pelo BRB”.
Afinal, lembrou, o banco pertence à população do Distrito Federal e não pode servir de disputa partidária, ainda mais num palanque de um comício que sequer reuniu três mil pessoas. Na visão da governadora, o BRB tem seis mil empregados, gera empregos, responde por programas sociais e, mesmo assim, ele e o PT querem destruí-lo. “Não conseguirão”, prometeu.
Presidente mostra que quer continuar na briga
Poucas horas depois de saber da reação de Celina Leão, o presidente Lula foi às redes sociais mostrar que quer continuar a briga. Afirmou que o Distrito Federal “merece um governo que cuide das pessoas, respeite quem trabalha e tenha compromisso com o povo”.
Como se não tivesse descido do palanque, declarou que “ao lado de Leandro Grass, Erika Kokay e Leila do Vôlei, vamos trabalhar por mais oportunidades, direitos e qualidade de vida para todo o DF”. Na mesma postagem, Lula referiu-se ao aumento que tinha prometido — e acabado de assinar.
Lembrou que “quando retomamos o Bolsa Família em 2023, garantimos um mínimo de R$ 600 para as famílias, além dos valores adicionais para crianças, adolescentes e gestantes, mas de lá para cá, esses benefícios ainda não tinham sido atualizados”.
Empresariado parte para defesa do banco
Cinco das principais entidades empresariais do Distrito Federal divulgaram, na noite desta quinta-feira, 17, manifesto em defesa do Banco de Brasília. Em um recado direto ao Palácio do Planalto, alertam para “a importância do diálogo institucional e da cooperação harmoniosa em torno do Banco de Brasília (BRB) e do desenvolvimento da capital do País”.
Reconhecem que “a recuperação da instituição demanda rigor técnico e apuração responsável” por eventuais irregularidades. Mas, em clara advertência, apontam para a “relevância da responsabilidade institucional na condução de alternativas que garantam a estabilidade do banco, a continuidade de suas operações e a proteção dos interesses de toda a sociedade”.
A palavra-chave do recado, endereçado claramente a Lula, é a “responsabilidade institucional”. Assinam o documento a Fecomercio, o Sinduscom, a Ademi, a Asbraco e a Codese.