Passado o impacto do primeiro debate da sucessão brasiliense, o confronto organizado pela Band, a governadora Celina Leão passou a apostar em uma reversão no eixo da campanha.
Ao aceitar o desafio de enfrentar esse primeiro debate — ao contrário da maioria dos governadores em busca de reeleição e também dos que lideram pesquisas —, Celina sabia que se tornaria o alvo principal. No entanto, até os demais se surpreenderam com o desequilíbrio do jogo.
Em todo o debate, o confronto foi de cinco contra uma. Das 24 questões dirigidas aos candidatos, 24 tiveram Celina como alvo. Contra os demais, zero, salvo uma ou outra iniciativa da própria governadora.
Mesmo com o ex-governador José Roberto Arruda em segundo lugar nas pesquisas, ele foi poupado pelos quatro outros adversários. Agora, a própria Celina se empenha em reverter esse jogo. Passou ela própria ao ataque. E, nos dois últimos dias, abriu fogo justamente contra Arruda.
Pagamento na mesma moeda
Se Arruda se uniu aos demais durante o primeiro debate, avançaria mais o sinal em seguida, quando deu a entender que, se ele tem um passivo com a Justiça, em referência à Caixa de Pandora, Celina também tem, no caso da operação Draco.
A governadora pegou o mote. Endureceu o jogo, dizendo que a comparação é imprópria, pois ela nunca sofreu condenação que a impedisse de disputar eleições, ao contrário dele.
“É um absurdo ele se comparar comigo, até porque a vida do Arruda foi inteira comprometida, pedindo perdão para a população de Brasília e tentando retornar como governador preso”, contra-atacou.
A partir daí, Celina qualificou a inelegibilidade do ex-governador como uma espécie de “medida protetiva” para o Distrito Federal. “O que está acontecendo é que a Justiça deu uma medida protetiva para o Arruda há 16 anos”, acusou.
Avaliou ainda que Arruda segue uma estratégia para se colocar no mesmo plano de outras figuras da política brasiliense, só para disparar: “Ele faz isso para tentar se colocar numa situação mais limpa, mas é horrorosa a situação dele”.
Já na segunda leva de ataques, Celina afirmou que a população do Distrito Federal conhece o histórico político de Arruda e utilizou uma imagem forte: “Eu acho que Brasília está vacinada contra ele há 16 anos”.
Arruda mantém linha agressiva

De seu lado, o ex-governador José Roberto Arruda mantém postura agressiva. Nesta quarta-feira, 12, abriu fogo contra o Buriti por ter aberto um crédito de emergência para as empresas de transporte coletivo e deu a entender que isso tinha relação com episódio envolvendo compras de gado.
Disse que “eu não tenho sítio, nem fazenda”. Procurou ainda atingir pontos fortes de Celina.
A governadora tem jogado suas fichas no projeto que amplia o atendimento a moradores de rua, permitindo inclusive a internação involuntária dos que representam perigo para si e para o restante da população. É um projeto altamente popular, lançado por Celina com apoio generalizado das prefeituras de quadras das principais cidades brasilienses.
Arruda prefere dizer que Brasília está virando campeã no número de moradores de rua, tentando atingir o que se transforma em instrumento popular para a governadora.
Estrategistas de partidos menores acreditam que a polarização também pode favorecer Arruda. Se esse esquema funcionar, os candidatos menores correm risco maior.
Enquanto isso, Arruda (foto) circula com aliados vindos da base de apoio de outros candidatos, como Alberto Fraga e Izalci Lucas, ambos do PL.