As decisões tomadas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, na tarde desta quarta-feira, 9, eram previsíveis e esperadas. Mas foram recebidas como sinalização de um novo equilíbrio de forças.
Afinal, de um lado, Fachin anulou a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, mas, de outro, retirou os superpoderes do também ministro Alexandre de Moraes como executor, ops, relator da investigação das fake news.
Em outras palavras, mexeu com todas as decisões conflitantes que caminhavam para o confronto quase armado entre os integrantes do Supremo.
Esse novo quadro foi apontado pelo ex-governador Rodrigo Rollemberg, hoje deputado, que, à noite, fez um pronunciamento propondo a quebra de todos os sigilos de pessoas públicas.
Para Rollemberg, é evidente que existe, até agora, uma instrumentalização do próprio Supremo em favor de candidaturas. É preciso, portanto, restaurar a autoridade, disse.
Não por acaso, minutos antes, o ministro Fachin tinha anunciado “a suspensão das decisões ora analisadas, porquanto, para além de qualquer juízo meritório sobre o afastamento ou não de autoridades, o qual será realizado oportunamente, cumpre obstar quadro de conflitos e sobreposições processuais que, por si só, configuram lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal”.
Esse jogo está, ao menos por algumas horas, zerado.
Mas o Congresso já se move, e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (foto), prepara uma nova CPI, em tese destinada a investigações da Polícia Federal, mas, na verdade, voltada para todos os conflitos internos dos Poderes.