A Câmara Legislativa encerrou seu ano de trabalho em uma parceria tranquila com o Buriti. Na verdade, o Executivo conseguiu tudo o que considerava importante, em especial nas áreas econômica e administrativa.
Controlou situações potencialmente explosivas, como a CPI dos atos antidemocráticos, e aprovou até propostas polêmicas, como a privatização da Rodoviária do Plano Piloto – e tudo sem turbulências, sem escândalos ou confrontos.
Foi o contrário de governos anteriores, como o de Rodrigo Rollemberg, inaugurado com a proposta de “uma nova relação”, transparente e clara, entre os poderes, coisa que terminou em tumultos, incluindo a queda de seu chefe da Casa Civil e acusações aos distritais, após uma sequência de derrotas que continuariam até as eleições seguintes. Com a posse de Ibaneis a situação se normalizou e a relação entre Buriti e Câmara fluiu sem confrontos.
Para isso foi chave o papel desempenhado pelo presidente da Câmara, Wellington Luiz, que agiu sempre como um negociador, inclusive com os distritais nominalmente oposicionistas.
Na verdade, coube a Wellington, mesmo sendo presidente regional do MDB, o papel de negociador entre os blocos partidários, mais até que o líder do Governo, Robério Negreiros, encarregado principalmente da defesa dos pontos centrais das propostas do Buriti.
Máquina funcionou
A verdade é que o esquema político montado pelo Palácio do Buriti funcionou. O governador Ibaneis Rocha não costuma ser visto como operador político, fazendo o varejo no diálogo com parlamentares. No entanto, auxiliares próximos fazem isso por ele, em especial o chefe da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha.
Mas Ibaneis trabalha com afinco sempre que preciso, como fez no plano federal quando a Câmara dos Deputados tentou avançar sobre o Fundo Constitucional do Distrito Federal.
A verdade é que, hoje, Ibaneis não conta apenas com 17 dos 24 distritais, mas, se for muito necessário, pode ainda garimpar uns três votos, pelo menos, na oposição. Conta com a maioria da bancada federal também, tenho alinhados com ele seis dois oito deputados federais. No ano que começa esse jogo deve se manter.
Wellington Luiz tem mais um ano na presidência da Câmara e é candidato natural à reeleição, embora para isso precise ainda remover obstáculos ao aval do próprio Palácio do Buriti. É previsível, porém, que essa relação de força, estável há cinco anos, permaneça por mais três.