Ainda não se sabe qual o desenho do relatório final da CPI dos atos antidemocráticos da Câmara Legislativa. Ainda existem zonas cinzentas, como a medida em que se citarão autoridades federais ou como tratarão pessoas que, embora mencionadas, não foram ouvidas pelos distritais.
Por isso mesmo o líder do PSOL, Fábio Félix, pensa em apresentar um relatório paralelo. Deverá receber apoio do petista Gabriel Magno. Mas os dois se isolarão, sem chances de aprová-lo.
Só marcarão posição, além de eventualmente fornecerem material para outros órgãos de investigação. A discussão principal que se desenha está no tratamento a ser dispensado aos comandantes da Polícia Militar do Distrito Federal.
Muitos deles tiveram seu papel – principalmente como omissão – dissecado nos trabalhos da CPI.
No entanto, o relator João Hermeto, do MDB, pertence aos quadros da própria Polícia Militar e não se sabe ainda que orientação adotará. De toda forma, há possibilidade de confrontos, o que vitaminaria eventuais relatórios paralelos.
Já existem vencedores
Existe, porém, um consenso na Câmara Legislativa. Quatro de seus integrantes, titulares ou suplentes, conseguiram ocupar espaços preciosos ao investirem em agendas próprias. Acabaram ocupando mais espaços do que as atividades oficiais, como as oitivas.
Na última sessão, por exemplo, o tema mais discutido nada tinha a ver com a pauta oficial, mas as visitas a autoridades do Ministério da Justiça da Dama do Tráfico a esposa de um comandante da facção criminosa Comando Vermelho. Os distritais Paula Belmonte e Joaquim Roriz Neto associaram ao ministro da pasta, Flávio Dino.
“Eles querem colocar o comando vermelho nas nossas instituições”, afirmou Paula. O ministro da Justiça também foi acusado pelo distrital Pastor Daniel: “prevaricou e foi leniente” por não ter acionado a Força Nacional de Segurança Pública para conter os ataques. “O Flavio Dino prevaricou, se omitiu, omissão dolosa.
No relatório tem que constar isso, porque ele tinha que ter acionado a Força Nacional”, falou o distrital. Joaquim Roriz Neto e Thiago Manzoni chegaram a pedir o impeachment do ministro.
“Dino não ser investigado é uma vergonha, mas talvez eles não queiram investigar porque podem chegar a outros problemas, como a rede de relacionamento do ministro, como as relações com o crime organizado e com o Comando Vermelho”, avaliou Roriz Neto.
PPP do barulho
Sob muita gritaria e protestos, o distrital Eduardo Pedrosa, presidente da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara, teve dificuldades de controlar a plateia formada por permissionários da Rodoviária do Plano Piloto, durante a votação do texto da Parceria Público Privada da Rodoviária, nesta terça-feira, 21.
Por dois votos contrários e três favoráveis, o projeto acabou sendo aprovado na Comissão, o que incendiou os manifestantes.
Contra o texto, a distrital Paula Belmonte denunciou que a PPP pode onerar gastos públicos para serviços do local, como Na Hora e outros; assim como impactar o preço da acostagem dos ônibus. Além disso, criticou a falta de transparência sobre a permanência dos permissionários no local.