A deputada brasiliense Bia Kicis (foto), sempre ela, passou este início da semana na ponte aérea.
Participou, com Flávio Bolsonaro, no Rio de Janeiro, de um comício dirigido só a mulheres. Era uma tentativa de combater os ataques ao voto feminino de Paulo Figueiredo e outros integrantes da campanha.
Maravilhou-se com o número de mulheres que apareceram.
Mas desembarcou em Brasília furiosa com a decisão, tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, que impede qualquer encontro de Flávio com o pai, Jair Bolsonaro, por conta de carta em que manifesta apoio na corrida presidencial.
Bia acusou Moraes de perseguição política, uma vez que, na sua visão, a medida tem o único objetivo de impedir qualquer participação de Jair na campanha eleitoral.
Compara, inclusive, com a diferença em relação a atos do presidente Lula.
Quando preso em Curitiba, Lula divulgou ao menos 27 cartas, que eram lidas em praça pública. Chegou a enviar carta ao Papa Francisco.
Mesmo hoje, diz Bia, Lula manifesta apoio a candidatos do país inteiro, de Boulos, há dois anos, a Simone Tebet, agora.
Isso só mostra que existe uma perseguição judicial, diz ela.
O advogado Manoel Caetano Ferreira, que defendeu Lula quando preso, tentou explicar que Lula não estava submetido a uma decisão judicial que restringisse a sua comunicação com o mundo exterior.
Para os defensores de Flávio, esse argumento apenas mostra o viés dos ministros, ao imporem essas condições diferenciadas.
Bia ao menos teve a satisfação de ver a Ordem dos Advogados do Brasil, OAB, pedir a Alexandre de Moraes, em ofício enviado nesta mesma terça-feira, 14, que assegure “a comunicação pessoal e reservada” entre o senador Flávio e o pai Jair.
É punir primeiro e investigar depois, diz Izalci
Líder da oposição no Congresso, o senador brasiliense Izalci Lucas avaliou nesta terça-feira a proibição de contatos entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio, pelo ministro Alexandre de Moraes, como “punir primeiro e investigar depois”.
Afinal, registrou Izalci, no mesmo despacho em que suspende as visitas por 90 dias, o ministro dá 48 horas para a defesa explicar se o presidente ao menos sabia que a carta seria publicada.
“Repare no que isso significa: o juiz admite que não sabe se houve intenção, que é o cerne do suposto descumprimento e, mesmo assim, já aplica a punição. Primeiro a pena, depois a apuração”, ressaltou o senador.
Ao rebater o argumento de que a proibição se aplicaria à figura do filho, e não à do advogado, Izalci foi categórico sobre o perigo do precedente.