Pode até parecer brincadeira, mas, na última sessão do semestre da Câmara dos Deputados, a bancada brasiliense se envolveu em um profundo debate a respeito de… direito dos índios a aparecer de cocar em fotos oficiais. Esse era o tema de um projeto defendido pela esquerda em geral, particularmente pela bancada da ex-ministra Sônia Guajajara, majoritariamente do PSOL.
Quem mais combateu o projeto foi Alberto Fraga, do PL. Ele mostrou que, para uma foto ter valor oficial, por exemplo, para carteira de motorista ou para identidade, o comum dos mortais não pode estar com qualquer peça que encubra parte do rosto. Ele citou outros deputados que, para emissão de documentos, foram obrigados a tirar os óculos.
Citou até o caso de Júlia Zanatta, catarinense que usa uma tiara de florzinhas como marca registrada. Teve que retirar a tiara. “Mas agora”, espantou-se Fraga, “a gente está votando um projeto de lei, uma norma pública, só para autorizar que índio tire foto com o cocar”.
Para o deputado, “isso não tem cabimento, pois bobagem é criar uma lei para índio tirar foto com cocar, e os demais cidadãos não poderem tirar foto com óculos”. Mas a deputada Érika Kokay, também brasiliense, mas do PT, não acha que essa lei seja bobagem, e sim “um resgate de brasilidade”.
Consistiria, na verdade, em um país “reconhecer a sua condição indígena”. Afinal, alertou, “estamos falando de povos de quem se buscou arrancar a sua própria identidade”. Então, não se está apenas referindo a fotos, mas declarando “que este é um País de cocar, que este é um País de turbante”.
O projeto ainda precisa passar pelo Senado.