Passou quase despercebido na defesa do veto do presidente Lula à saidinha dos detentos, mas está contido nela um aceno aos evangélicos. Atuando como porta-voz do Planalto, a deputada brasiliense Érika Kokay insistiu muito em que Lula sancionou muito do que o Congresso aprovou, segundo ela, 98% do total.
E, procurando amenizar o que chama de “ímpeto punitivista da oposição” disse que o veto de Lula protegia a família. Afirmou até que entre as portas deixadas abertas pelo presidente estava “não ter cometido crime violento, ter cumprido um sexto da pena, com direito a estudar, a trabalhar fora — em atividades que contribuam com a ressocialização. Sabe qual é a principal delas? A atividade religiosa”.
Em outras palavras, Érika ressaltou que “a manutenção desses vetos vai possibilitar que pessoas de um universo extremamente reduzido tenham direito a passar as datas comemorativas com seus familiares e a frequentar atividades de ressocialização como as igrejas”. Quais igrejas? Na esmagadora maioria, as evangélicas. Mas o argumento não colou. A bancada evangélica votou pela abolição completa da saidinha.