Aprovada a privatização da Rodoviária do Plano Piloto e encerrado o ano legislativo na Câmara do Distrito Federal, a tendência natural é acelerar a sucessão para o próximo biênio.
Desde que se permitiu a recondução da Mesa Diretora, abriu-se caminho para o presidente ser a escolha natural para o período seguinte. Foi o que aconteceu na legislatura passada.
O resultado da votação sobre a Rodoviária do Plano Piloto mostrou que o Buriti de Ibaneis Rocha tem folgada maioria na Câmara. Hoje, 15 distritais estão fechados com o governo, mesmo em uma votação polêmica como o da Rodoviária.
Ficaram contra apenas os dois deputados do PSOL, três do PT, uma do PSB e uma que se declara independente. Sabe-se ainda que ao menos dois entre os oposicionistas mantém diálogo com o Buriti. Tudo isso abre caminho para que o MDB permaneça na presidência.
Espaço para negociar
Nas votações mais críticas para o Buriti, o atual presidente Wellington Luiz manteve mão firme e foi decisivo para a prevalência das posições do Buriti. Ao contrário do que ocorreu na legislatura passada, porém, sua recondução não pode ser considerada tranquila.
Existe uma outra candidatura no próprio MDB, do distrital Iolando Almeida, que igualmente tem mostrado fidelidade ao Buriti em momentos difíceis.
Ele já foi candidato da última vez, mas Wellington Luiz fez valer seu favoritismo. Agora, Iolando volta a reunir chances. O atual presidente, à parte jogar igualmente com o Buriti, tem também um contencioso a enfrentar.
Precisará aparar arestas para fazer valer seu favoritismo natural. Mas existe praticamente um ano para se acertarem todos os jogos.
Escola para crianças migrantes
Na última sessão do ano, a Câmara aprovou projeto de seu presidente Wellington Luiz que estabelece política distrital de proteção à matrícula para crianças migrantes, refugiadas, apátridas e solicitantes de refúgio.
O objetivo é garantir o acesso à educação de forma descomplicada, sem excesso de documentação e sem discriminação por nacionalidade ou condição migratória.
Com a promessa de matrícula imediata, mesmo na ausência de documentação escolar, o projeto visa integrar estudantes estrangeiros na Educação Básica, permitindo matrículas em qualquer etapa conforme o desenvolvimento do aluno.
A avaliação será conduzida na língua materna do estudante, assegurando um atendimento adequado. A proposta também destaca a importância do acolhimento, com diretrizes contra discriminação, bullying e xenofobia, valorizando a diversidade cultural. Wellington Luiz diz que “a proposta é essencial para proteger e garantir o acesso fácil e rápido ao direito à educação dessas crianças migrantes e refugiadas, frequentemente em situações de vulnerabilidade.”