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Em tempos de guerra, a indústria automotiva sempre se adapta

Em tempos de guerra, a indústria automotiva se adapta e redireciona seu parque industrial. Sempre foi assim. Mas agora não é para a produção de tanques, canhões e aviões. São máscaras, respiradores e outros equipamento hospitalares.

Aurélio Araújo

Publicado

em

indústria automotiva
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Outro dia, acompanhando as notícias no Instagram, vi um post sobre o que empresas automotivas norte-americanas estão fazendo na luta contra a COVID-19 no Brasil. A General Motors, por exemplo, está trabalhando com agências locais para reparar ventiladores inativos e enviá-los de volta ao sistema de saúde. A Fiat Chrysler (a junção da gigante italiana com a gigante norte-americana) está ajudando também na manutenção de respiradores, além de imprimir máscaras 3D e emprestar veículos para combater a epidemia.

A francesa Renault está utilizando suas impressoras 3D do Creative Lab (laboratório de inovação da marca localizado no Complexo Ayrton Senna, PR), para produzir máscaras de atendimento hospitalar. Segundo a montadora, as impressoras estão trabalhando 24 horas por dia.

A PSA (detentora das marcas Peugeot e Citroën) vai usar suas impressoras 3D para o mesmo propósito. A máscara facial é considerada um equipamento de proteção individual (EPI), e tem sido muito utilizada por profissionais que trabalham em hospitais no combate ao coronavírus. A empresa vai deixar de produzir modelos como o 2008 e C4 Cactus e adaptar determinadas instalações da fábrica de Porto Real (RJ) para a confecção de protetores faciais, que serão doados para autoridades de saúde dos municípios da região.

Juntaram-se também às fileiras dessa nova guerra contra a COVID-19 Ford, Hyundai, Mercedes-Benz, Chevrolet, Toyota e Volkswagen. A verdade é: nunca vi nada parecido.

Aproveitando os tempos de quarentena, estou apreciando o denso “Ferrari: o homem por trás das máquinas”. Trata-se do livro biográfico (e para alguns, controverso) de Enzo Ferrari, escrito por Brock Yates. Yates aponta que a Alfa-Romeo e a Fiat, ao longo da Segunda Guerra Mundial, também viraram a chave de suas plantas, só que para motores de avião (como o do famoso caça Fiat G 50 Freccia), caminhões de transporte de carga e tropas (como o clássico Alfa Romeo 430 RE), entre outros artefatos industriais bélicos. Segundo o autor, “o gigantesco complexo industrial de Turim (Itália) tinha capacidade para produzir 180 aviões por mês”. É certo que nunca alcançaram esse número, mas isso é outra história.

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Caça Turbo Hélice Fiat G 50 Freccia produzido na II Guerra Mundial

Entretanto, a Fiat e a Alfa, naquele dias sombrios, estavam do lado errado da guerra ao suprir linhas fascistas. Assim como fez a Mercedes, na Alemanha de Hitler. Hoje, os tempos são outros. O inimigo comum é o famigerado coronavírus, que vem sendo tema muito presente em nossas vidas das mais diversas formas, em especial com a inédita quarentena. Mas assim como na guerra, vem ceifando a vida de milhares de pessoas nos quatro cantos do globo – já são mais de 150 mil óbitos. Com esse novo cenário, a indústria automotiva mais uma vez tenta se adaptar, mas acredito que, dessa vez, alinhada em conjunto do lado certo do combate em uma ação nunca antes vista.

Caminhão Alfa Romeo 430 RE produzido na II Guerra Mundial

Em tempos de guerra, a indústria se adapta e redireciona seu parque industrial. Sempre foi assim na História. Porém, agora não é para a produção de tanques, canhões e caças de combate. São máscaras, respiradores e outros equipamento hospitalares. É uma forma de olhar o copo meio cheio, quando tudo que ouvimos é sobre o copo meio vazio. Sinais de um novo tempo de luta contra um inimigo invisível chamado COVID-19.


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