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Bebê à bordo

Ao sair da maternidade, dei o primeiro passeio de carro com meu filho, e não foi nada do que eu esperava.

Aurélio Araújo

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Depois de três longas noites na maternidade, havia chegado a hora de ir para casa. Eu, minha esposa e o mais novo brasiliense, meu filho Antônio. Poucos dias antes dele nascer, lavei o carro, abasteci e até troquei a bateria do carro (para não ficar na mão). Na minha cabeça, o carro tinha que estar preparado para o primeiro passeio do pequeno gafanhoto. Mas depois descobri que não era o carro que tinha que estar preparado, era eu mesmo e o passeio que eu fiquei sonhando não foi nada do que eu imaginava.

Na porta da maternidade, instalei a cadeirinha pela primeira vez (devia ter treinado antes). Ainda meio desengonçado, travei o cinto e coloquei ele pela primeira vez dentro de um carro. Tudo muito novo para nós dois. Para mim, o primeiro passeio de carro com um bebê à bordo. Para ele, o primeiro passeio da vida a caminho de casa. E quem sabe com muita sorte, sem congestionamento na EPTG. Essa experiência nada agradável ele pode ter depois.

Liguei o carro e ele já estava dormindo. Nem se preocupou com nada. Nem ligou para o carro limpinho para recebê-lo. Dormiu todo o caminho. E eu dirigia com a tensão e a insegurança de um jovem de 18 anos fazendo a prova do Detran pela primeira vez. Tudo era com muito cuidado, cuidado com ele e com a esposa, que ainda estava em recuperação. Passando tão lentamente nos quebra-molas, que nem me reconheci ao volante.

As curvas delicadas, aceleração leve, freiadas suaves. Ele mal nasceu e eu já me tornei um motorista muito mais cuidadoso. Falei com alguns amigos que também passaram por isso e todos me disseram a mesma coisa: é assim mesmo. A gente se transforma ao volante com um bebê dentro do carro. Ele tem o poder de nos deixar mais prudentes. 

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Ao chegar na garagem, me atrapalhei de novo, mas agora para tirar a cadeirinha e pensei que realmente deveria ter treinado. Mas deu tudo certo. Chegamos em casa com segurança. A preocupação com ele era tão grande que apertei o alarme sem olhar para trás. Eu sempre olho para o carro depois de fechá-lo, só para garantir que está tudo ok. Mas dessa vez, ele foi coadjuvante. Meu foco era outro, dormia e só tinha 3,715 kg. 

Tenho certeza que haverá muitos passeios, tenho certeza que a gente vai ficando mais seguro com o tempo, menos atrapalhado com a cadeirinha, menos desengonçado em colocá-lo e tirá-lo do carro. Tenho certeza que, em um determinado momento, ele não vai só dormir, mas também vai curtir o caminho ao nosso lado. 

A estrada é longa, as noites em claro também, mas vale cada Km rodado.




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