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A Era dos Muscle Cars

Gasolina e carburador em um carro pensado para ser respeitado por sua imponência. É uma verdadeira obra de arte em uma época em que o carro do homem comum podia se dar o luxo de fazer 4 por litro.

Aurélio Araújo

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Sem dúvidas, a era dos muscle cars é minha preferida na história dos automóveis. Dos anos 60, até os inícios dos anos 70 (antes da grande crise do petróleo) eles dominaram os sonhos de gerações e até hoje causam arrepio quando passam. E é nesse momento que são produzidos os grandes carros da história. 

Existe uma descrição básica para definí-los: coupé, duas portas (grandes e pesadas), tração traseira e um motor nervoso! De preferência, com um motor V8 debaixo do capô. Small block, big block… para mim, tanto faz. Se você não tem noção do que eu estou falando, talvez algumas palavras façam algum sentido na sua memória: Camaro, Chevelle, Dodge Challenger, Pontiac GTO, Plymouth Barracuda e Ford Mustang. E aí? Lembrou?

Dirigir um muscle car é para quem aprecia. Quem já teve a experiência de acelerar alguma dessas máquinas sabe que não é qualquer coisa. Por isso, eu insisti. Então, vamos à história. 

Tenho um amigo, também colunista deste jornal, que tem um Camaro Rally Sport 1973 na família. Acredito que não existam muitos com essa versão no Brasil. Um V8 com o capô tão grande que parece que você está dirigindo um barco. Por isso, eu insisti: “Preciso dirigir esse carro”! E acabou que deu certo.

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Camaro Rally Sport 350 1973. Último ano da série com o para-choque bipartido. Foto: Aurélio Araújo.

Essa versão específica do Camaro faz parte da segunda geração da linha e foi lançada na primavera de 1970 nos Estados Unidos. Uma versão mais longa, larga e mais baixa do que o seu antecessor, sua produção se estendeu até 1981 e poucos deles foram vistos no Brasil. 

Aproveitando as retas das ruas de Brasília decidimos fazer um rota da Asa Sul à Torre Digital no Camaro. Do eixão à EPIA. O ronco do carro chama atenção; as suas linhas chamam atenção; seus pneus BF Goodrich chamam atenção. O carro é um ímã de atenção. Mas não é pela mesma razão dos muscle cars modernos. É a atenção de quem olha o carro com respeito. 

As rodas clássicas GM com os BF Goodrich são perfeitas para esse cruiser. Foto: Aurélio Araújo.

O câmbio de quatro marchas é curto, a embreagem é pesada e o freio tem um tempo de 40 anos atrás (por isso, cuidado). Redução no freio e no câmbio, porque o tambor não dá conta! A verdade é que esse carros foram feitos para correr e não para parar. 

Quando você vira a chave, você precisa sentir o carro. Com toda aquela força, a embreagem precisa ser tratada com carinho. E o V8 está sempre pronto para responder. A qualquer arranque, o pneu avisa com um som conhecido típico da tração traseira arrancando (que para mim é música). É gasolina e carburador em um carro pensado para ser respeitado por sua imponência. É uma verdadeira obra de arte em uma época que o carro do homem comum podia se dar o luxo de fazer 4 km por litro. 

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O mais legal é que esse carro é cheio de história. Foi arrematado em um leilão do porto de Recife no início dos anos 80 e está com a família desde então. Além da história do próprio carro, por trás do volante estão as histórias de pais, filhos e irmãos. Gerações que se construíram enquanto o carro ia ganhando maturidade. 

Se o ronco do motor falasse, esse carro seria um amigo bom de prosa.




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