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60 anos de Ayrton Senna: nenhuma crise pode nos fazer esquecer.

O coronavírus continua sacudindo o mundo e tomando conta de todos os portais e canais de comunicação. No meio de tudo isso, no último dia 21 de março um evento passou batido. Se estivesse vivo, nosso Ayrton Senna completaria 60 anos de vida.

Aurélio Araújo

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O coronavírus continua sacudindo o mundo e tomando conta de todos os portais e canais de comunicação. As redes sociais seguem o mesmo fluxo; não se fala em outra coisa. Além de mudar nossas vidas, a pandemia atraiu toda a nossa atenção. No meio de tudo isso, no último dia 21 de março, um evento passou batido e, infelizmente, foi ofuscado pela pandemia. Se estivesse vivo, nosso Ayrton Senna completaria 60 anos de vida. Com exceção de alguns portais especializados, pouco se falou sobre isso.

Bem, eu não poderia deixar de falar. Ayrton Senna foi (e na minha opinião ainda é) o maior ídolo esportivo do Brasil. E o nosso maior ídolo tem origem no esporte a motor, outra paixão nacional. Fico imaginando que, se estivesse vivo, seria uma daquelas lendas com muitos títulos mundiais que caminha pelos paddocks como uma entidade, como fazia Juan Manuel Fangio (Argentina) nos anos 70 ou Niki Lauda (Áustria) até o ano passado. E talvez fosse até consultor de uma grande equipe, como seu maior rival nas pistas, Alain Prost (França), faz hoje na compatriota Renault. Senna é grande, por que ainda inspira e faz sonhar.

Mas a semana não parou só por aí! Além do seu aniversário de vida, tinha mais… dia 24 de março também teve outro aniversário: 29 anos da primeira vitória de Ayrton no Grande Prêmio do Brasil em Interlagos. O ano era 1991, eu era uma criança de oito anos e me lembro de sair na quadra onde eu morava, na Asa Norte, para comemorar a vitória… e que vitória! Apenas com a sexta marcha em sua McLaren MP4/6 aproveitou a chuva nas três últimas voltas e arrebatou a vitória exausto.

“Eu notei o Patrese se aproximando de mim e cheguei a pensar que não venceria. No entanto, senti que tinha obrigação de vencer aqui no Brasil e, assim, consegui levar o carro, apesar da chuva que caiu no final da corrida. Eu ainda tive espasmos musculares e câimbras nos ombros e pescoço porque o cinto de segurança estava muito apertado, mas também por causa da emoção”, disse após a corrida.

“Só voltei à realidade quando vi a bandeirada. Aí senti um imenso prazer em viver, em estar em Interlagos, na minha terra e vendo a minha gente feliz. Não foi a maior vitória da minha vida, mas foi a mais sacrificada”, disse Senna à época.

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De tudo isso, a melhor lembrança que tenho são as manhãs animadas de domingo e a certeza quase arrogante da vitória. Aquele capacete atraía nosso olhar nas antigas TV’s, e a gente sabia… era o Senna! Ele ia vencer… e a gente vibrava quando anunciavam: “Vai chover no grid”! E essa lembrança boa veio de novo essa semana…

Pesquisando por algo diferente do famigerado COVID-19, descobri que o canal SportTV2 passaria na íntegra o Grande Prêmio de Suzuka, no Japão, do dia 26 de março de 1988. Essa foi a prova que deu a Ayrton Senna seu primeiro título mundial de Fórmula 1 da sua carreira. E nessa pista ele foi dominante nos anos seguintes. A reprise do GP passaria pontualmente às 19h15. Coloquei o alarme para tocar 19h10, mandei o aviso para os amigos, liguei para o meu pai e disse: “Ligue a TV, você não vai acreditar”! Sentei no sofá, aumentei o som e abri uma cerveja às 19h12. Fiquei um pouco ansioso com o início e aí começou a transmissão… exatamente como aconteceu na madrugada do já distante ano de 1988.

Senna na pole position com 1’41.853. Acende a luz verde, ele solta a embreagem, o carro falha. Ele traciona o carro no embalo e liga sua MP/4. Senna termina a primeira volta em décimo quarto. A voz do narrador muda, perde o otimismo inicial e parece o adeus ao título. Mas na quinta volta, Senna já é o quarto lugar (depois de uma recuperação impressionante), tirando tudo do seu motor Honda, e parte para ultrapassar Prost.

Foram mais de 40 voltas, assisti a todas e, no final, ouvi a música da vitória. A vitória de Ayrton Senna do Brasil! Voltei no tempo por alguns momentos, me diverti assistindo as ultrapassagens ousadas e o ímpeto vitorioso que traçou sua jornada ao longo do seus três campeonatos mundiais. E o melhor, sem nenhum coronavírus para me atrapalhar.

Obrigado Senna, sempre!

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