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Comer Rezando
Comer Rezando

Completando 17 anos, o TAYPÁ se renova sem se perder. E isso é um feito e tanto!

Novo menu do chef Marco Espinoza e identidade visual assinada por José Bernal marcam a data sem abrir mão do que consolidou a casa em quase duas décadas

Max Cajé

28/08/2026 11h55

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Foto: Vualá Design

Muita coisa, ou quase tudo, mudou na dinâmica das relações comerciais no mundo pós pandemia dos últimos seis anos, e em Brasília não foi diferente. O mercado de influência digital explodiu, e agora está quase implodindo, o peso da aparência, da pirotecnia e da apresentação de um prato em troca de likes foi lá para o alto, e ainda bem que agora deu uma baixada. As expectativas sobre o que um almoço ou jantar vai entregar como experiência subiram também, exponencialmente, assim como o custo dos insumos e, junto com ele, os preços ao cliente final. Mais recentemente, o tamanho das porções tem virado uma questão, depois da popularização das canetas emagrecedoras.

Esse breve contexto serve apenas para situar o quanto uma casa que está aberta durante todo esse período teve que se adaptar, ou pesar se valia a pena a movimentação para seguir sendo destino de fiéis e também de novos clientes. Agora imagine uma que está na ativa há nada menos que 17 anos no mercado brasiliense.

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Foto: Vualá Design

É essa a trajetória que o Taypá celebra em 2026 e, para marcar o feito, está de cara nova em todos os sentidos. O premiado chef Marco Espinoza acaba de apresentar um novo menu, que tem como guia uma identidade visual contemporânea, assinada pelo designer peruano José Bernal, com criações que provocam o paladar de quem já conhece sua cozinha, sem perder a identidade da execução do chef Carlito Apolinário.

Nas entradas, uma das grandes novidades é o Dim Sum (gyosa de rabo bovino com molho de alho, mandioca e limão). Equilibrado entre o sabor que preenche a boca e uma leve acidez que abre o paladar, é a minha indicação para abrir a noite de quem vai conhecer essa nova fase.

Não fica atrás o marcante Caranguejo (salada de caranguejo e batata com ovas de salmão), que traz um ar de modernidade aos sabores do mar.

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Foto: Vualá Design

Entre os ceviches, o novo Do Chef é obrigatório pela perfeita combinação de atum, kiuri, cebola, laranja, toronja, sour cream e crocante. Eu poderia facilmente comer só isso durante uma noite inteira.

Nos principais, sem muita surpresa para quem já me lê aqui há algum tempo, meu favorito foi o Pulpo Taypá (polvo com canelones de alcachofra e molho de manjericão cremoso), não só pela qualidade da receita e sua execução, mas também por como o chef conseguiu, mais uma vez, apresentar o molusco em um ponto perfeito e em uma construção de prato nova para o que se espera da casa.

Quebra de expectativa que também aconteceu na sobremesa, com a Banana e Canela (cookies de chocolate e banana com sorbet de canela). Nunca imaginei comer ou pedir um cookie no TAYPÁ, mas, depois de provar, certamente é algo que estará sempre no meu radar. Cremoso e crocante na medida certa, sem firulas ou recheios exagerados.

Após 17 anos, o TAYPÁ realmente não precisa provar mais nada a ninguém, nem para os pseudo mega críticos com passaportes carimbados de visitas a estrelas Michelin. Ao mesmo tempo, ele se vale de não cair na tentação da “repaginada completa”, que acaba resultando numa desfiguração do que o consolidou nessas quase duas décadas. Isso, para mim, já merece muitos aplausos.

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