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Sobrevivente de tiro na cabeça, vítima de ex-marido, Yannahe Marques lança livro contando trajetória milagrosa

Dois anos após atentado, Yannahe Marques escreve “Eu Escolhi Viver” para inspirar mulheres a quebrarem o ciclo de violência doméstica.

Por Analice Nicolau 15/06/2021 4h00
Yannahe Marques Yannahe Marques

Pelo menos cinco mulheres por dia foram assassinadas ou vítimas de violência no Brasil em 2020, de acordo com dados da Rede de Observatório da Segurança. Yannahe Marques enfrentou um relacionamento abusivo por 13 anos, sofreu uma tentativa de assassinato, desafiou a medicina e agora lança o livro “Eu escolhi viver”, onde conta detalhes da própria história. Escrito em parceria com Rose Rech, terapeuta que acompanha Yannahe praticamente desde o atentado, o livro já está disponível nos formatos físicos e e-book.

“Ao contrário do consenso geral, que apenas donas de casa ou mulheres dependentes dos parceiros se submetem a situações de violência, eu sempre fui uma mulher forte, trabalhadora e independente. A situação não se instala da noite para o dia. Vai piorando aos poucos e, se você não rompe aos primeiros sinais de alerta, está correndo o risco de pagar com a sua vida. Eu tive uma segunda chance, mas a maioria não tem. Então o objetivo deste livro é ser um alerta, de acolhimento e encorajamento a todas as mulheres que estão passando por isso hoje, para que saiam, busquem apoio e recomecem”, contou Yannahe.

“Como todo casal, tivemos altos e baixos, dificuldades no meio do caminho. Mas me lembro perfeitamente dos dias em que comecei a achar que não dava mais… Em abril de 2019, cerca de sete meses após nossa separação definitiva, meu ex-marido invadiu o condomínio em que eu morava com um revólver 38 e uma única ideia na cabeça: impedir-me de ser feliz sem ele, acabando com a minha vida.”

Segundo o médico, Bruno Bogéa, neurocirurgião, médico de acompanhamento do caso, “a situação era muito grave. Não sabemos como ela conseguiu chegar no hospital com vida. Aparentemente, hoje, ela não tem mais massa encefálica suficiente para comandar o corpo. Não há precedentes de sobreviventes com esta quantidade que restou e as conexões cerebrais também foram afetadas. Naquele dia, fizemos uma cirurgia craniana para a extração da bala e limpeza local, que é um procedimento padrão, mas as chances de sobrevivência eram realmente insignificantes”.

Hoje, dois anos depois, a paciente não apenas sobreviveu, como fala, anda, trabalha e segue lidando com os traumas emocionais e as pouquíssimas sequelas físicas que lhe restaram, como eventuais dores de cabeça mais intensas. Está feliz cuidando dos dois filhos frutos do casamento com o ex-marido agressor e da sua bebê de dez meses, Mia, seu segundo milagre: oito meses após o atentado, Yannahe foi presenteada com uma terceira gestação.

Escrito em parceria com Rose Rech, terapeuta que acompanha Yannahe praticamente desde o atentado, o livro já está disponível nos formatos físicos e e-book.

“Quando somos jovens, acreditamos que a vida é linear: crescer, estudar, trabalhar, casar, ter filhos, morrer. Não contamos com os obstáculos, as reviravoltas, as dificuldades e as tensões que enfrentaremos ao longo desse percurso. Na minha juventude, jamais pensei que passaria pelo que passei. Ele foi o meu primeiro namorado sério, e, depois de um tempo de namoro, nos casamos. Tudo me levava a crer que nosso relacionamento era perfeito; logo tivemos filhos e seguimos a nossa vida de casal. Eu sempre idealizava que ele tinha sido a escolha certa.

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