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Analice Nicolau
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Viúvo de Rita Lee: “Queria trocar de lugar com você, porque você tem muito mais coisas para fazer do que eu. Eu vou e você fica”, afirmou em entrevista ao Fantástico

Roberto de Carvalho, viúvo de Rita Lee concedeu uma emocionante entrevista ao ‘Fantástico’ e contou detalhes sobre os últimos momentos que passou ao lado da rainha do rock brasileiro

Analice Nicolau

15/05/2023 14h00

A cantora morreu no dia 7 de maio e seu velório ocorreu no dia 10. A entrevista do viúvo da estrela, Roberto de Carvalho ao Fantástico foi gravada no dia seguinte ao enterro, em 11 de maio, e foi descrita por Renata Ceribelli como um momento de muita dor e tristeza, e começou contando a história de amor do casal. “Desde 47 anos atrás que a gente se encontrou pela primeira vez, que eu sou extremamente atento e feliz também por ter estado ao lado de uma pessoa tão iluminada, uma pessoa tão cheia de vida, de criatividade, de alegria, de luz. E nos tornamos cara-metade, eu não posso dizer para você que é a Rita e o Roberto. O Roberto é a Rita também, a Rita é o Roberto também, em vida ou em morte. Tanto em uma circunstância quanto em outra, eu continuo sendo ela e ela continua sendo eu”, comentou Roberto.


Em um trecho da última entrevista de Rita concedida ao Fantástico em 2020 e exibido durante a conversa, a cantora declarou seu amor por Roberto, “e eu não brigo com meu namorado, eu só namoro ele, sou apaixonada por ele”. “Há mais de 15 anos a gente se aposentou da vida dos palcos, das turnês, das viagens, e a gente se isolou na granja, num sítio que a gente procurou com muito cuidado e com muito carinho, que ali seria o lugar que a gente iria passar a terceira idade. E a Rita sempre teve uma vontade enorme de morar no mato, de ter os bichos todos que ela quisesse, e eu por outro lado sou extremamente ligado em jardim, plantas”, detalhou o viúvo.


Sobre o começo do relacionamento, timidamente Roberto contou como se deu, e revelou que Rita tomou a iniciativa. “Eu tocava com Ney Mato Grosso. Dizia a Rita que ela foi num show que a gente estava fazendo aqui em São Paulo, e ela me viu e me achou uma pessoa interessante. Eu não sei o que eu tenho de interessante. Aí depois do show ela convidou o Ney e um músico, para ele escolher um músico para ir jantar na casa dela no dia seguinte. Então, a gente percebeu que a coisa era comigo. Eu estava usando uma meia de lurex, eu cheguei, sentei do lado dela e ela disse ‘nossa, que meia legal’. Eu falei: você gosta? Então é sua! Pá, tirei e dei pra ela. Aí já começou uma magia. E aí a gente sentou no piano e começou a cantar em inglês. Mas, tipo, puxa, eu queria tanto que chegasse esse momento para a gente se encontrar, pra gente fazer música. Os convidados foram se retirando e quando a gente viu, estávamos só nós dois. E aí a gente continuou a noite no andar de cima, e aí a paixão se revelou na sua forma mais esplêndida, espetacular, sensual, amorosa. Depois disso nós não nos separamos nunca mais”, contou Roberto.


“Eu sou um cara que sempre quis casar com uma mulher, ter três filhos homens e cultivar uma família e para isso eu precisava encontrar a mulher perfeita que eu tive a sorte de encontrar”, diz Roberto. Renata pergunta se esse era o sonho de Rita, ele responde: “ela tinha o sonho de ter filhos também, mas não era tão explícito assim quanto o meu. Mas quando a gente se encontrou mesmo, a gente não se encontrou com a clareza de que aquilo ali iria virar o que virou”.


O casal teve três filhos: Beto, João e Antônio, e dois netos, Isabela e Arthur. Já a parceria musical rendeu inúmeros sucessos, alguns refletem sentimentos e situações da intimidade do casal, entre elas a favorita de Rita e Roberto ‘Mania de você’, cujo refrão cantado por Rita em um trecho da entrevista concedida em 2020 diz: “meu bem você me dá água na boca, vestindo fantasias, tirando a roupa”. “O ‘Mania de você’ foi no violão, a gente estava na cama, numa paixão louca, aí consumou essa paixão louca, eu peguei o violão e comecei a tocar. E ela do meu lado, pegou o caderninho… frases, e eu fui completando a música. E aí ela pegou”. Nesse momento o músico foi arrebatado pelo choro, pela emoção e pela dor e não conseguiu concluir, voltando à entrevista momentos depois.


“Talvez eu fique assim para sempre, sempre vai ser difícil. Eu não tenho a menor pretensão de seja fácil. Fico triste, mas eu fico bem, porque foram coisas tão maravilhosas. É que os últimos tempos foram muito difíceis. A Rita é considerada um milagre pelos médicos que cuidaram dela, para fazer os exames e tudo e viu que tratava-se de um tumor, mas já no estágio avançado e já com metástase. E os médicos previram uma sobrevida de três a quatro meses [em 2021]. Mas ela encarou o negócio um estoicismo, uma coisa… Ela fez quimioterapia várias vezes, ela fez radioterapia. Momentos muito sofridos”, relatou o viúvo sobre as experiências com a doença da esposa. Renata pergunta como foi lidar com a situação e Roberto é taxativo: “medo, ansiedade, pavor. Junto com João meu filho, nós dois tomamos conta da situação toda. E a gente procurou se informar o máximo possível, porque a gente foi jogado em um universo que a gente desconhecia”.


“Quando a gente descobriu a doença a gente estava em fim de pandemia, os meus irmãos têm filhos, então para eles era uma situação um pouco mais difícil. Eu tomei a decisão de voltar a morar com eles e fiquei todos esses dois anos junto com o meu pai acompanhando todos os dias de tratamento, todas as consultas médicas. Cena de hospital, cena de dor, cena de tratamento, eu estava com ela quando ela raspou o cabelo, ela pediu para eu filmar, inclusive. Porque ela era faca nos dentes, ela não foge de nenhum momento desse”, relatou João Lee, filho de Rita e Roberto. “Foi difícil porque o cabelo sempre foi uma marca na vida dela. Loirinha dos mutantes, a ruiva, tutti frutti, cabelo de fogo, até ficando cabelo branco no fim da vida, cor de lua como ela falava. Então ver ela sem cabelo foi muito estranho para mim e para ela também”, compartilhou João.


“Ela não queria partir, até o fim ela nunca quis partir, ela sempre tinha um monte de coisas, sabe? Planos de escrever, de fazer música. Eu dizia para ela: eu queria trocar de lugar com você, porque você tem muito mais coisas para fazer do que eu. Eu vou e você fica… Ela foi perdendo, perdeu o cabelo, a capacidade de andar, foi perdendo a capacidade de pensar, entretanto, os momentos finais dela foram de uma leveza, de uma calma, de uma doçura. Nós estávamos todos juntos com ela, a gente montou um quarto de hospital e a última fase na cama, mas ela parecia uma criancinha, um passarinho. Foi em paz.”, relatou Roberto sobre os últimos momentos da cantora.


“A Rita amava demais os fãs dela. Quando aconteceu aquele episódio nefasto em Aracajú, o propósito da Rita quando os policiais começaram a revistar e agredir os fãs, o propósito da Rita era proteger os fãs”, se referiu Roberto a uma confusão entre policiais e público durante um show. Perguntado sobre uma característica de Rita que apenas ele conheceu, Roberto disse que “ela era uma pessoa única, foi ela que falou para eu fazer a entrevista, por isso que eu quis insistir porque ela falou para eu fazer a entrevista. É raro me ouvir falar, porque eu sou tímido, isso era na intimidade. A Rita era muito tímida também, mas ela tinha uma personalidade que quando ela estava exposta, ela não era nada tímida. Muito elegante, falando baixo, por favor, com licença, essa era a Rita”, explicou o viúvo da rainha do rock, que nos segundo finais da entrevista, fechou os olhos e disse: “meu amor, foi por você, para você, como tudo daqui pra frente será sempre por você e pra você”.

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