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Analice Nicolau
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Tiago Monteiro consolida a multinacional LUZA Group no mercado global

Colunista Analice Nicolau

26/10/2026 13h55

Com faturamento acima de €30 milhões, Tiago Monteiro celebra 20 anos da LUZA Group com a compra da Syffer e consolida o Brasil como polo de engenharia.

Tiago Monteiro, engenheiro mecânico, fundador e CEO da multinacional LUZA Group, celebrando 20 anos de atuação global em engenharia e tecnologia Créditos: Divulgação

O fundador e CEO Tiago Monteiro celebra vinte anos da LUZA Group com a aquisição da consultoria Syffer


Por trás das grandes montadoras e dos complexos projetos de infraestrutura que sustentam a economia internacional, opera uma engrenagem técnica que determina a velocidade de entrega das indústrias. Em 28 de outubro de 2026, a multinacional de engenharia e tecnologia LUZA Group comemora vinte anos de fundação com uma trajetória de expansão incomum no mercado produtivo. Criada em 2006 na cidade de Oliveira de Azeméis, interior de Portugal, originalmente sob o nome PTC Group, a companhia operou uma guinada estratégica ao transformar o Brasil, a partir do final de 2012, no principal centro de sua inteligência de engenharia e desenvolvimento de software. Sob a liderança do engenheiro mecânico Tiago Monteiro, o grupo estruturou presença societária em sete países, incluindo Espanha e Marrocos, estabeleceu escritórios corporativos próprios no Brasil, em Portugal e no México, e mantém equipes alocadas em projetos em nove nações, provando que a base técnica latino-americana oferece escala de execução para os maiores conglomerados do mundo.

O balanço desse ciclo de duas décadas posiciona a companhia em uma faixa restrita de multinacionais de origem portuguesa, superando a marca de € 30 milhões em faturamento global consolidado em 2025, com um quadro de aproximadamente 1.200 colaboradores, mais de 1.000 profissionais mobilizados diretamente nas instalações de clientes e mais de uma centena de contas ativas. No território nacional, sediada no polo industrial de Contagem (MG), a empresa alcançou o 19º lugar na faixa de R$ 150 milhões a R$ 300 milhões do conceituado ranking Exame Negócios em Expansão (NEEX) 2026 na categoria Serviços, após faturar R$ 151,3 milhões em 2025, o que representou uma alta de 19,2% sobre os R$ 126,8 milhões obtidos em 2024. Esse salto comercial reflete a aceleração da terceirização de serviços de engenharia no cenário mundial, mercado dimensionado pela consultoria Mordor Intelligence em US$ 164,7 bilhões em 2026 e com estimativa de atingir US$ 312,6 bilhões até 2031, sustentado por um avanço anual composto de 13,7%.

A transformação do setor produtivo redefiniu o papel dos fornecedores técnicos, que deixaram de ser vistos como simples instrumentos de contenção orçamentária para atuar como extensões diretas dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Ao mesmo tempo em que plantas industriais aceleram a implantação da Indústria 4.0 por meio de automação avançada, internet das coisas (IoT), engenharia de processos, análise de dados e cibersegurança, o mercado corporativo enfrenta um gargalo severo na atração de talentos de exatas. Pesquisa conduzida pela Ford em parceria com o instituto Datafolha revela que 31% das empresas brasileiras apontam a função de engenheiro de software como a mais difícil de preencher em 2026, cenário em que especialistas em inteligência artificial também figuram no topo das carências, gerando atrasos em aberturas de unidades e modernizações fabris.

Tiago Monteiro, engenheiro mecânico, fundador e CEO da multinacional LUZA Group créditos: Divulgação

A fragilidade de grandes companhias reside na dependência de fornecedores de mão de obra que se limitam ao repasse de currículos, sem assumir a governança do cronograma executivo. Para sanar essa carência em três frentes determinantes, garantir capacidade operacional imediata para projetos orçados, viabilizar acesso a disciplinas raras sem custos fixos e oferecer velocidade em aberturas de fábricas e lançamentos comprimidos, a multinacional desenhou dois modelos contratuais, divididos entre outsourcing dedicado e o modelo full service de ponta a ponta: “Entregar currículo não basta. O que fazemos é montar e gerir equipes técnicas que respondem por um resultado dentro do projeto do cliente. Em boa parte da nossa carteira, assumimos o projeto inteiro, da primeira linha do planejamento até a entrega”, explica Tiago Monteiro, destacando que a indústria atual busca competências hiperespecializadas com mobilização imediata. Essa disciplina operacional impede que orçamentos bilionários de montadoras e mineradoras sejam drenados por falhas de integração.

Em resposta à digitalização das linhas de montagem, a LUZA Group concluiu recentemente a aquisição da Syffer, consultoria portuguesa de referência em tecnologia, inovação e recrutamento técnico computacional. A operação incorpora inteligência em cibersegurança, arquitetura de nuvem e ciência de dados ao histórico fabril da companhia, permitindo que o grupo entregue o maquinário físico e os sistemas operacionais que o controlam em uma única esteira: “A Syffer acelera um movimento que já estava em curso. A LUZA de hoje é tão tecnologia quanto engenharia. Os clientes nos chamam para projetar a peça, a linha de produção e, cada vez mais, o software e os dados que fazem tudo isso funcionar”, ressalta o executivo, observando que a inteligência artificial elevou o padrão de conhecimento exigido dos engenheiros modernos. A junção de hardware mecânico e software preditivo reduz drasticamente o tempo necessário para levar produtos sofisticados ao mercado consumidor.

A prestação de serviços para gigantes corporativos do porte de Stellantis, BMW, Ford, Unilever e Nexa em segmentos como mobilidade, energia, mineração, ciências da vida, agronegócio e defesa impõe conformidade com as mais rígidas normas globais de qualidade. Para blindar suas operações contra falhas e violações de propriedade intelectual, a empresa detém as certificações automotivas TISAX e ISO 9001 no Brasil e em Portugal, além do selo Great Place to Work em solo brasileiro, sustentando sua expansão por meio de uma estrutura integrada de quatro marcas: formação especializada pela LUZA Academy, atração de talentos pela Hito, execução técnica pela LUZA e relacionamento corporativo pela Casa Luzitana: “Quando o mercado não forma o especialista que o projeto exige, nós formamos. Esse modelo é o que nos dá escala: conseguimos crescer junto com o cliente, em qualquer frente e em qualquer país”, reforça Monteiro, evidenciando que soluções concebidas para o setor automotivo podem ser aplicadas com a mesma precisão em complexos de mineração ou na indústria farmacêutica.

Ao comemorar vinte anos com a campanha institucional Conectores do Futuro sob o conceito “Talentos que constroem o amanhã”, a multinacional inverte a lógica histórica da fuga de cérebros no Brasil, possibilitando que engenheiros nacionais lideraram desafios em plantas europeias e norte-americanas sem deixar o país de origem. A compatibilidade de fuso horário com os grandes polos globais somada à excelência da formação técnica local firma o Brasil como uma das plataformas mais produtivas da engenharia internacional: “Somos conectores. Ligamos talento a projeto, Portugal ao Brasil, engenharia à tecnologia. Os primeiros vinte anos foram para provar que uma empresa nascida no interior de Portugal podia competir com os grandes; os próximos serão para mostrar que o Brasil pode ser uma das principais plataformas de engenharia e tecnologia do mundo”, projeta Tiago Monteiro, consolidando um horizonte em que a mão de obra especializada se transforma no principal ativo de soberania econômica e inovação industrial.

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