A escritora e ilustradora Suzane Lopes, vencedora do Prêmio Jabuti, analisa a importância da alfabetização socioemocional para crianças
A ilustradora, escritora e designer Suzane Lopes, reconhecida com o Prêmio Jabuti 2023 pela obra Óculos de Cor, lança o livro infantil “Não Sei Explicar“, publicado pela Editora Mostarda. O evento ocorre neste sábado dia 19, às 15 horas, com um encontro intimista no Cine Glauber Rocha, em Salvador, acompanhado por um bate-papo mediado pelo escritor Marcos Cajé. Com uma trajetória consolidada no mercado literário, a autora transforma sua experiência pessoal de ter vivenciado a depressão na infância em uma narrativa imagética voltada ao acolhimento das emoções.
A discussão sobre a saúde mental na primeira infância ganha relevância em um contexto onde pais e educadores buscam ferramentas pedagógicas para lidar com quadros de ansiedade e introspecção precoce. A publicação integra a expansão da Editora Mostarda, fundada em agosto de 2015 em Sumaré (SP), que amplia sua atuação na literatura antirracista para estruturar um selo focado no desenvolvimento socioemocional. A iniciativa visa formar leitores conscientes, oferecendo histórias que promovam a representatividade e o suporte afetivo desde os primeiros anos de vida.
Alfabetização socioemocional e acolhimento na infância
Com ilustrações da artista pernambucana Paula de Aguiar e texto de quarta capa assinado pela jornalista baiana Carla Bittencourt, a obra traduz a complexidade de sentimentos que as crianças frequentemente não conseguem verbalizar. A publicação consolida a transição profissional de Suzane Lopes, que ganhou visibilidade com o projeto Movimento 1988 e ilustrou para editoras como Companhia das Letrinhas, Ciranda Cultural e Solisluna, acumulando premiações como o Selo Cátedra UNESCO por Celeste e O Dengo. Após sua estreia autoral com Ninho (2024), o novo título abre caminho para mais três projetos infantis já finalizados.

Créditos: Divulgação
A dificuldade em expressar dores emocionais na infância gera barreiras na comunicação familiar, tornando desafiadora a identificação de sinais de sofrimento psíquico. “Eu fui essa criança, a criança com um peso no peito, introspectiva, com tristezas que pareciam grandes demais para serem colocadas em palavras”, explica a autora e ilustradora Suzane Lopes, evidenciando como a literatura se converte em um refúgio acolhedor para crianças que enfrentam sentimentos difíceis de nomear.
A literatura como ferramenta de validação emocional
A validação dos sentimentos infantis atua como um pilar essencial para o desenvolvimento psíquico saudável, prevenindo o isolamento e o agravamento de quadros depressivos. “Falar sobre sentimentos é difícil na vida adulta, mas na infância é mais desafiador ainda, e o que esse livro representa é a importância de escutar e acolher as crianças”, destaca a editora Bruna Policarpo, reforçando a necessidade de criar espaços de escuta ativa dentro de casa e no ambiente escolar.
A expansão de narrativas voltadas ao bem-estar emocional reflete uma tendência no mercado de literatura infantojuvenil, que passa a priorizar obras com potencial terapêutico e educativo. “Nos livros, encontrei palavras para coisas que eu ainda não conseguia dizer e escrever fazia parte da minha vida antes mesmo de eu entender o quanto isso seria importante”, pontua a escritora Suzane Lopes sobre a origem do seu processo criativo, que segue impulsionando novos lançamentos editoriais voltados à infância.

Créditos: Divulgação
A união entre a sensibilidade artística e o rigor editorial estabelece novas pontes de diálogo entre gerações, transformando memórias dolorosas em instrumentos coletivos de afeto. “O texto da Suzane me emocionou na primeira leitura, consolidando uma obra para todas as idades”, arremata a editora Bruna Policarpo, atestando que a literatura de acolhimento desempenha um papel fundamental na formação de adultos mais conscientes e empáticos.