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Analice Nicolau
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Sinergia Animal expõe sofrimento dos animais na Aurora Alimentos em outdoors pelo Brasil

Outdoors em Guarulhos, Curitiba e Betim denunciam o uso de gaiolas para porcas grávidas e práticas dolorosas em leitões; diretora da ONG fala sobre mudanças urgentes no tratamento dos animais.

Analice Nicolau

28/11/2024 11h00

Esta semana, uma campanha com apelo visual e ético tomou as ruas de Guarulhos (SP), Curitiba (PR) e Betim (MG). Outdoors com imagens impactantes clamam por mudanças na produção de carne suína da Aurora Alimentos, terceira maior empresa do setor no Brasil. A ação, liderada pela ONG internacional Sinergia Animal, pede o fim do uso de gaiolas de gestação para porcas grávidas e do corte de orelhas em leitões, práticas que a organização denuncia como cruéis e ultrapassadas.

“7 das 9 maiores empresas de carne suína no Brasil já baniram o corte de orelhas. É uma prática desnecessária, ultrapassada e que não condiz com os padrões de bem-estar animal exigidos pelo consumidor moderno. A Aurora precisa ouvir a demanda da sociedade e se comprometer com uma produção mais ética”, afirma Cristina Diniz, diretora da Sinergia Animal no Brasil.

A campanha também critica a resistência da Aurora Alimentos em abandonar o uso de gaiolas de gestação, confinamento que, segundo especialistas, limita severamente os movimentos das porcas e causa sofrimento físico e psicológico. “Pedimos que a Aurora siga o exemplo de JBS e BRF, seus principais concorrentes, e se comprometa a usar sistemas de criação 100% livres de gaiolas de gestação em suas novas granjas, conhecido como ‘cobre e solta’ pela indústria”, completa Diniz.

Os outdoors, estrategicamente posicionados em locais de alta visibilidade, buscam conscientizar a opinião pública sobre o impacto ético das escolhas alimentares e pressionar grandes corporações a adotarem práticas mais humanas. A Sinergia Animal também lançou uma petição online e promove ações de rua para mobilizar consumidores e influenciar políticas empresariais.

A ONG destaca que a proibição das gaiolas de gestação já é realidade em países como Reino Unido, onde o bem-estar animal é amplamente regulamentado. No Brasil, a prática ainda prevalece, mesmo em um cenário de crescente pressão internacional.

“No Brasil, a pressão por mudanças é ainda mais urgente, considerando o volume de exportação e a importância do país como líder na produção de carne suína. Só a Aurora Alimentos é responsável pelas vidas de mais de 7,6 milhões de porcos por ano e tem a oportunidade de liderar pelo exemplo, mas ainda está atrasada em relação a seus concorrentes e a padrões internacionais de bem-estar animal”, reforça Diniz.

O atraso da Aurora no setor

A empresa ocupa as últimas posições no ranking Porcos em Foco, um relatório que avalia os avanços das maiores produtoras de carne suína em práticas de bem-estar animal. Em 2023, 66% das empresas avaliadas no estudo apresentaram novas políticas nesse sentido, sinalizando uma tendência de transformação no setor.

“Isso mostra que o avanço é não apenas possível, mas também uma tendência crescente no setor”, destaca Diniz. A ONG acredita que, ao resistir às mudanças, a Aurora Alimentos não só se distancia de padrões éticos como também coloca em risco sua reputação perante consumidores cada vez mais conscientes.

A campanha também destaca a urgência de repensar hábitos de consumo e exigir responsabilidade social das grandes empresas. A ONG busca agora estabelecer um diálogo com a Aurora Alimentos, oferecendo soluções para eliminar práticas cruéis e promover um tratamento mais ético aos animais.

Reconhecida globalmente por sua atuação, a Sinergia Animal trabalha para reduzir o sofrimento dos animais na indústria alimentícia e incentivar uma alimentação mais compassiva. A ONG é reconhecida pela Animal Charity Evaluators (ACE) e continua a liderar iniciativas para transformar o setor.

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