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Analice Nicolau
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Simone Maryam retrata Brasil escravocrata em livro Mãe Liberté

“Mãe Liberté: escravo dos seus desejos ou senhor das suas vontades” aborda a luta pela liberdade

Analice Nicolau

21/02/2024 15h00

Nascida na Bahia, a escritora Simone Maryam transporta os leitores do livro “Mãe Liberté: escravo dos seus desejos ou senhor das suas vontades” para os conflitos de um Brasil escravocrata com a intenção de pensar sobre um tema que, mesmo após centenas de anos, mantém-se atual e relevante: a luta pela liberdade. O romance que é ambientado em um dos momentos mais violentos da história do Brasil, retrata ganâncias e maldades humanas que até no presente continuam aprisionando a sociedade e os indivíduos.

“A liberdade nas mãos de um médico justo é a cura. Manipulada pelos mestres inescrupulosos é remédio que causa mais doenças. A liberdade, numa palavra, é como o remédio. Sabendo respeitar a dose certa é cura, caso contrário, será o nosso pior veneno. A diferença entre a liberdade e a injustiça é a dose”. (Mãe Liberté, p. 177).

Durante a história, os caminhos de muitos personagens se entrelaçam e criam um panorama complexo da realidade de um período permeado por intensos preconceitos raciais, de gênero e classe. Entre as narrativas que são apresentadas, há um senhor de engenho que rejeita as ideias do pai e quer se afastar do sistema escravocrata; um homem branco que, quando criança, foi adotado por uma mãe negra após ter sido abandonado por sua família em Portugal; uma mulher escravizada com sonhos de alforriar a si e a suas companheiras; um jovem gay que necessita esconder os sentimentos para sobreviver à homofobia.

Os protagonistas da obra representam tensões, contradições e distintas ideologias do mundo do qual fazem parte, com a trama ressaltando os ideais humanísticos, a dignidade humana e o espírito libertário. Sugere, ainda, uma reflexão sobre as liberdades possíveis em um contexto cruel e desigual, como afirma a escritora: “Somos escravos de uma sociedade corrupta de alma. Somos escravizados de forma silenciosa, do passado mal resolvido, de amores doentios, de marcas, de dietas”

Sendo considerado uma prosa poética, que por meio de uma história ficcional, discute sobre assuntos intrínsecos a vida humana e guia os leitores por uma jornada de autoconhecimento, Mãe Liberté tem seu estilo literário definido pela autora como “ficção puzzle”, que funciona como um quebra-cabeça para o público pensar nas questões não respondidas pela história e achar respostas para os dilemas individuais.

A autora Simone Maryam estabelece uma pergunta principal com a publicação deste livro: “qual é a cor do amor?”, como forma de estimular a interação das pessoas com a literatura e também de transformar a leitura em algo mais atraente ao público jovem. A partir de março deste ano (2024), ela utilizará suas redes sociais para convidar as pessoas a encontrarem a solução para o enigma existente no livro. Além disso, quem participar também estará concorrendo a prêmios que serão divulgados posteriormente pela autora.

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