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Analice Nicolau
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Silêncio doloroso: O grito abafado da violência doméstica e seu efeito na psique

Explorando os estragos invisíveis causados pela violência doméstica além das agressões físicas

Analice Nicolau

08/03/2024 15h00

Não é novidade que as manchetes frequentemente trazem relatos de violência doméstica ocorrendo por todo o país. Um recente estudo do DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher, trouxe dados alarmantes: três em cada dez mulheres já foram vítimas de algum tipo de agressão doméstica. Mais chocante ainda é que, na maioria dos casos, o agressor é alguém próximo, sendo o marido ou companheiro responsável por 52% dessas violências.

De acordo com o Dr. Marcio Rogério Renzo, Fisioterapeuta/Psicanalista/Hipnoterapeuta, a violência doméstica se manifesta de diversas formas, sendo a psicológica a mais prevalente, afetando 89% das vítimas. Seguem-se a violência moral, física, patrimonial e sexual. Alarmantemente, a maioria das mulheres relata ter sofrido a primeira agressão ainda na juventude, destacando a persistência desse tipo de violência ao longo dos anos.

Embora haja um aumento nas denúncias, a violência doméstica permanece como um fator estressor significativo, levando inúmeras mulheres a buscar apoio para a saúde mental. Renzo afirma que transtornos ansiosos e depressivos são os mais citados entre as vítimas que, ao chegarem ao consultório, apresentam-se diminuídas, com autoestima baixa e, muitas vezes, sofrendo de doenças físicas decorrentes do estresse prolongado.

Além do impacto direto nas vítimas, Renzo lembra que os efeitos dessa violência se estendem aos filhos, que convivem com dificuldades de aprendizado e transtornos mentais, intensificando o sentimento de falha materna por não protegê-los adequadamente.

Identificar fatores de risco e agir preventivamente é essencial para proteger as mulheres vulneráveis. Isolamento social, desconhecimento dos direitos, dependências diversas e exclusão do mercado de trabalho são indicadores de risco para a violência doméstica.

Para mitigar esses efeitos devastadores, é vital manter um bom relacionamento familiar, buscar ajuda profissional, e manter uma autoestima elevada. As autoridades devem priorizar uma rede assistencial integrada, abrangendo saúde, proteção social, segurança pública e judiciário, para oferecer uma proteção efetiva às vítimas.

É imperativo ter empatia e oferecer orientação a quem vivencia essa situação. A violência doméstica é um problema profundo que requer a união de esforços para sua erradicação e o suporte às vítimas em seu processo de recuperação e reempoderamento.

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