No cotidiano brasileiro, enfrentamos o dilema: como descartar de maneira responsável pilhas e eletrônicos obsoletos? A resposta não apenas aborda questões ambientais, mas também a transformação desses materiais em valiosas matérias-primas para novos produtos. Com mais de 9 mil Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) espalhados pelo país, a preocupação com a destinação correta desses resíduos é essencial para evitar danos ao meio ambiente e à saúde humana.

Desde a promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), a logística reversa se tornou uma exigência legal para o setor. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) lidera essa frente através da Green Eletron, uma iniciativa que reúne 84 empresas do setor.

O processo de reciclagem é uma verdadeira jornada de transformação. Em um único dispositivo eletrônico, diversos materiais valiosos podem ser recuperados, incluindo plástico, vidro, cobre e metais preciosos como ouro e prata. Após a coleta, triagem e trituração, os materiais são transportados para uma das oito recicladoras de lixo eletrônico da Green Eletron, distribuídas pelo país.

A transformação continua nas indústrias que utilizam esses materiais reciclados para produzir uma ampla gama de produtos. Desde novos dispositivos eletrônicos até materiais de construção como assoalhos e cimento, a reciclagem de eletrônicos está demonstrando sua versatilidade e valor.
O descarte inadequado, por outro lado, pode ter consequências graves. Segundo Ademir Brescansin, gerente-executivo da Green Eletron, o lixo eletrônico jogado no lixo comum pode contaminar o solo e a água, além de desperdiçar valiosa matéria-prima. É por isso que a Green Eletron também investe em campanhas educativas em escolas, visando conscientizar as gerações futuras sobre a importância do descarte correto.
No último ano, a Green Eletron reciclou mais de cinco milhões de toneladas de eletroeletrônicos e pilhas. Essa iniciativa, aliada à Política Nacional de Resíduos Sólidos, representa um passo significativo em direção à economia circular no Brasil. Davi Bomtempo, gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, destaca a necessidade de considerar todo o ciclo de vida dos produtos, promovendo um uso mais consciente e sustentável.
Em última análise, a transformação de resíduos eletrônicos em recursos valiosos é um exemplo concreto de como a indústria e a sociedade podem colaborar para um futuro mais sustentável. O destino dos eletrônicos e pilhas usadas é uma decisão que impacta não apenas o presente, mas também o legado que deixaremos para as próximas gerações.