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Analice Nicolau
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Resgate de trabalhadores escravizados no Rock in Rio 2024

14 empregados foram encontrados dormindo em papelões e trabalhando até 21 horas por dia no festival

Analice Nicolau

19/12/2024 10h15

Uma operação conjunta do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) e da Superintendência Regional do Trabalho resultou no resgate de 14 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão no Rock in Rio 2024. As vítimas atuavam como carregadores, enfrentando jornadas de até 21 horas, dormindo em papelões no local de trabalho e sem receber integralmente os pagamentos prometidos.

Os trabalhadores, contratados pela empresa FBC Backstage Eventos Ltda., relataram jornadas exaustivas, com apenas três horas de descanso entre turnos. A operação identificou que os empregados dormiam precariamente em espaços improvisados dentro do evento, como a Arena de Tênis do Parque Olímpico. As condições de higiene eram alarmantes, com banheiros sujos e trabalhadores tomando banho em vestiários olímpicos.

As empresas organizadoras do evento foram responsabilizadas. A Auditoria-Fiscal do Trabalho emitiu 21 autos de infração contra a empresa contratada e 11 contra a organizadora Rock World S.A., que, segundo as autoridades, negligenciou a fiscalização das condições de trabalho. “Encontrar pessoas dormindo sobre papelões após jornadas extenuantes em um evento desse porte é inadmissível”, afirmou Raul Capparelli, auditor-fiscal que liderou a operação.

Além de assegurar o seguro-desemprego aos resgatados, o MPT busca medidas judiciais contra as empresas, incluindo indenizações por danos morais individuais e coletivos. A certificação de “evento sustentável” concedida ao Rock in Rio também está sob investigação.

O episódio reacende debates sobre exploração trabalhista em grandes eventos. Escândalos semelhantes já marcaram edições anteriores do festival, com resgates em 2013 e 2015. Para Thiago Gurjão, procurador responsável pelo inquérito, “não é possível tolerar que um evento com um discurso de sustentabilidade permita a exploração de trabalhadores em condições desumanas”.

O caso segue em apuração, e novas medidas devem ser anunciadas nos próximos dias.

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