Conheça a história de Eliene e como a Fundação Pró-Rim transformou medo em esperança de vida
A trajetória de Eliene Baunilha de Alfaia, professora de 42 anos residente em Manaus, é um testemunho vívido de como a saúde pode ser efêmera e, simultaneamente, resiliente. Antes da pandemia de Covid-19, sua rotina era pautada pela dedicação ao ensino fundamental e à gestão do lar, sem qualquer indício de patologias renais prévias. O colapso silencioso de seus rins ocorreu sob a sombra da crise sanitária que assolou a capital amazonense, onde o medo de hospitais lotados retardou o diagnóstico crucial. O que parecia uma gripe severa mascarava uma hipertensão maligna de 22 por 10, sinalizando que seu organismo estava no limite. Ao chegar à unidade de saúde, o veredito foi um choque: insuficiência renal aguda irreversível, um diagnóstico que transmutou sua sala de aula em uma sala de diálise, alterando permanentemente sua percepção de futuro e sobrevivência.
O início do tratamento dialítico trouxe consigo não apenas o desgaste físico, mas um profundo abalo emocional alimentado por desinformação e estigmas. Eliene recorda o impacto de ver, pela primeira vez, a estrutura de uma clínica de hemodiálise, máquinas, cateteres e o choro contido de quem depende de tecnologia para filtrar a própria vida. O peso psicológico foi agravado por prognósticos informais sombrios que sugeriam uma sobrevida limitada a apenas dez anos, uma sentença que dilacerava seus planos. Em uma região de calor intenso como Manaus, a restrição hídrica severa de apenas 500 ml diários e a privação de alimentos simples, como sua fruta favorita, tornaram-se batalhas diárias. Contudo, foi nesse cenário de vulnerabilidade que a busca por autoridade médica a levou a cruzar o país em busca de uma solução definitiva na região Sul.
A virada estratégica ocorreu quando Eliene e seu marido encontraram, por meio de pesquisas digitais, a autoridade técnica da Fundação Pró-Rim, em Santa Catarina. A instituição, reconhecida nacionalmente por sua expertise em nefrologia, ofereceu o suporte informacional que faltava através de transmissões ao vivo e atendimento humanizado. Ao decidirem pela viagem, o casal buscava mais do que um procedimento médico; buscavam um centro de referência que validasse a esperança do transplante. A transição de Manaus para o ecossistema de saúde catarinense foi o primeiro passo para sair da fila da incerteza. Ali, Eliene entendeu que o transplante renal não era apenas uma intervenção cirúrgica complexa, mas o acesso a um padrão de vida que a hemodiálise, apesar de mantê-la viva, não conseguia plenamente proporcionar.

A jornada rumo à cirurgia foi marcada por um paradoxo emocional: o intenso desejo de viver confrontado pelo terror paralisante do desconhecido. Quando a primeira oportunidade de órgão surgiu, apenas três meses após sua chegada a Santa Catarina, o medo da rejeição e da finitude na mesa de operação a fez recusar a oferta. Esse episódio demonstra a complexidade psicológica do paciente renal, onde a autoridade da equipe médica precisa atuar não apenas no bisturi, mas no acolhimento do trauma. Foi somente na madrugada de 22 de junho de 2024, às 3h, que o telefone tocou com uma nova chance. Dessa vez, fortalecida por palavras de encorajamento de funcionários do Hospital São José, em Joinville, Eliene aceitou o desafio. Ela e outra paciente dividiram a generosidade de um doador falecido, simbolizando a engrenagem de solidariedade que move o sistema de transplantes brasileiro.
O pós-operatório revelou uma recuperação surpreendentemente tranquila, contrastando com os anos de fadiga acumulada. A assistência constante da equipe multidisciplinar da Fundação Pró-Rim e do Hospital São José garantiu que a adaptação ao novo órgão fosse monitorada com precisão técnica. Eliene relata que os pequenos prazeres, como a liberdade de beber água e o ganho de peso saudável, foram as métricas reais de seu sucesso. O fim da dependência das máquinas permitiu que a educadora retomasse sua identidade, agora enriquecida por uma experiência profunda de superação. Sua história destaca a importância vital do diagnóstico precoce e do acesso a centros especializados, provando que a medicina de alta performance, aliada à empatia, é capaz de reescrever destinos que pareciam traçados por estatísticas pessimistas em meio ao caos sanitário.

No cenário nacional, o caso de Eliene reforça a liderança do Brasil em transplantes, sendo o rim o órgão mais demandado no sistema público. Em 2024, o país atingiu marcas históricas, realizando milhares de procedimentos que devolvem autonomia aos cidadãos. A Fundação Pró-Rim, como pilar dessa estrutura, ultrapassou a marca de 2.100 transplantes, consolidando-se como líder em Santa Catarina e referência em humanização. A autoridade da instituição é construída sobre resultados concretos e um modelo de atendimento que prioriza a reintegração social do paciente. Para profissionais do Direito e da Saúde, esse caso serve como exemplo de eficácia das políticas de doação de órgãos e da necessidade de investimentos em tecnologia nefrológica para reduzir as filas de espera e aumentar a segurança jurídica e assistencial desses pacientes.
Como bem define Maycon Truppel Machado, presidente da Fundação Pró-Rim, o transplante é a materialização de novos projetos de vida e convivência familiar. Para Eliene, a porta da vida se abriu em uma madrugada silenciosa através de um telefonema, mas foi sustentada por uma rede de especialistas que transformou a técnica médica em um ato de renascimento. “Cada transplante representa um futuro reescrito”, afirma Truppel. Ao olhar para trás, a professora de Manaus não vê apenas a doença, mas a vitória de quem escolheu confiar na ciência e na generosidade humana. Sua trajetória agora serve como farol para milhares de brasileiros que aguardam na fila, provando que, mesmo diante do colapso absoluto, a expertise médica e a doação de órgãos podem restaurar a dignidade e a alegria de simplesmente estar vivo.