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Analice Nicolau
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Pedra nos rins é um problema grave que atinge cada vez mais adolescentes

Aumento de cálculos renais entre jovens é uma preocupação crescente. Aprenda como identificar, prevenir e tratar esse problema de saúde

Analice Nicolau

23/08/2023 16h00

O problema dos cálculos renais, também conhecidos como “pedras nos rins”, tradicionalmente associado à vida adulta, está ganhando terreno entre crianças e adolescentes de forma preocupante. Um recente estudo publicado pela Sociedade Americana de Nefrologia revela que nos últimos anos houve um aumento significativo de 16% na incidência dessa condição entre jovens com idades entre 15 e 19 anos nos Estados Unidos. Embora não haja pesquisas similares no Brasil, especialistas alertam que o número de pacientes pediátricos com sintomas relacionados está crescendo rapidamente.

O médico nefrologista pediátrico Antonio Cesar Cillo, do Vera Cruz Hospital em Campinas (SP), explica que cálculos renais são formações endurecidas semelhantes a pedras que se desenvolvem nos rins ou nas vias urinárias, causando acúmulo de cristais presentes na urina e gerando dor e desconforto. A manifestação dos sintomas entre crianças e adultos apresenta algumas diferenças. Enquanto nos adultos a sensação de cólica renal é intensa, irradiando da região lombar para a virilha, nas crianças a dor abdominal é difusa, acompanhada por vezes de palidez e vômitos.

Para os pais e responsáveis, o alerta é estar atentos a certos indícios. Embora muitas vezes as dores abdominais sejam confundidas com cólicas intestinais, a presença de sangue na urina (hematúria) é um sinal distintivo que sugere um possível cálculo renal, requerendo atendimento médico imediato.

A investigação inicial envolve exames de urina e, para confirmação do diagnóstico, ultrassonografia ou tomografia. Especialmente em casos de crianças e adolescentes, uma avaliação detalhada é essencial, pois a confirmação de distúrbios metabólicos urinários pode implicar em tratamento preventivo.

O histórico familiar também é um fator contribuinte para esse problema. Crianças provenientes de famílias com histórico de cálculos renais têm maior predisposição para desenvolvê-los. Enquanto a incidência na infância varia de 1% a 4%, em adultos a variação é de 10% a 20%, enfatizando a importância da vigilância e da investigação precoce para prevenir futuros episódios.

O tratamento, em geral, envolve identificar a causa do distúrbio metabólico urinário. Os quatro principais tipos são: hipercalciúria idiopática (excesso de cálcio na urina), hiperuricosúria (aumento do ácido úrico na urina), hipocitratúria (diminuição do citrato na urina, um protetor contra formação de pedras) e hiperoxalúria (excesso de oxalato de cálcio).

O tratamento é em grande parte farmacológico, visando corrigir os desequilíbrios. Casos mais graves podem requerer a remoção dos cálculos, procedimento realizado por litotripsia, que utiliza ondas de choque para fragmentar as pedras, ou outras cirurgias conforme o tamanho do cálculo.

Prevenção é a chave para evitar esse problema. Manter as crianças bem hidratadas, evitar alimentos ricos em sal e sódio, além de cortar refrigerantes e alimentos processados, são medidas essenciais. Água e frutas cítricas são recomendadas para proteger contra a formação de cálculos renais. Portanto, estar ciente dos sinais, promover um estilo de vida saudável e estar em sintonia com o histórico familiar podem fazer a diferença na prevenção desse problema que, embora mais comum na idade adulta, está se tornando cada vez mais presente entre os jovens.

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