O especialista analisa métricas de liderança e gestão de pessoas em evento na América Latina
A busca por competitividade no cenário corporativo continental tem deslocado o foco das organizações para a estruturação de competências comportamentais e inteligência emocional nos níveis executivos. A realização do encontro Desperte o Seu Poder Empresarial (DSPE) em Ciudad del Este, no Paraguai, marca a internacionalização dessa metodologia sob a liderança do especialista em comportamento organizacional e fundador do Instituto Brasileiro de Coaching, José Roberto Marques. Ao conectar executivos latino-americanos na Tríplice Fronteira, a iniciativa visa converter um dos centros comerciais mais ativos da região em um polo de alta performance e gestão de pessoas.
A movimentação acompanha um fortalecimento estrutural no mercado global de capacitação executiva, projetado para saltar de US$ 48,61 bilhões registrados em 2024 para US$ 97,13 bilhões até 2033, mantendo uma taxa de expansão anual próxima a 8%. Esse avanço reflete a mudança de mentalidade no meio empresarial, onde a qualificação de quadros diretivos deixou de ser interpretada como gasto operacional para assumir o status de indicador de governança. A medição do desenvolvimento humano agora integra a planilha de ativos prioritários das corporações, influenciando diretamente a capacidade de retenção de talentos e a produtividade.
Historicamente focada na circulação de bens e mercadorias, a dinâmica econômica de Ciudad del Este passa a abrigar uma nova categoria de intercâmbio baseada no conhecimento e na liderança. O conceito de “capital humano de fronteira” propõe transpor barreiras geográficas por meio do aprimoramento de capacidades cognitivas e estratégicas das chefias locais. O movimento busca atender companhias paraguaias, brasileiras e argentinas que enfrentam mercados cada vez mais integrados e exigentes.

Fundamentada na chamada Psicologia Marquesiana, a abordagem técnica defende que a escala operacional de qualquer negócio é rigorosamente delimitada pela maturidade de seus gestores. O alinhamento entre propósito pessoal e metas organizacionais estabelece a base para superações operacionais em ambientes incertos. Ao detalhar a importância desse amadurecimento individual antes do avanço comercial, José Roberto Marques enfatiza que “empresas não crescem além do tamanho das pessoas que as lideram. Por isso, quando falamos em expansão internacional, o primeiro território a ser conquistado é sempre o território interno de quem decide”. Nessa perspectiva, o executivo reforça que “o capital humano de fronteira é isso: pessoas que não se limitam ao seu mercado de origem porque primeiro deixaram de se limitar a si mesmas. Quando uma liderança se expande por dentro, a expansão de mercado é consequência”.
Para contornar a subjetividade frequentemente associada às políticas de recursos humanos, o setor passa a adotar diagnósticos quantitativos baseados no Método PSC, ferramenta com validação científica voltada ao mapeamento de perfil e desempenho profissional. A metodologia permite acompanhar a evolução dos quadros de liderança com a mesma precisão applied aos balanços contábeis, permitindo correções de rota fundamentadas em dados. Como alerta José Roberto Marques sobre a necessidade dessa mensuração rigorosa, “toda empresa sabe calcular seu faturamento até o último centavo, mas poucas sabem dizer com precisão o quanto suas lideranças evoluíram no último ano. Isso precisa mudar, porque o que não se acompanha, não se prioriza”.

A migração para programas customizados e orientados por evidências substitui gradativamente os treinamentos genéricos do passado. O alinhamento da saúde emocional corporativa aos pilares de governança responde a exigências de investidores e conselhos de administração, que identificam no equilíbrio de equipe um fator mitigador de riscos operacionais. Essa transformação sinaliza que o aperfeiçoamento contínuo das lideranças continuará a expandir suas fronteiras metodológicas na América Latina.
A consolidação do Paraguai no circuito internacional de capacitação executiva demonstra a maturidade de um mercado regional que busca autonomia e relevância global. A transição de um modelo transacional para um ecossistema focado no desenvolvimento de pessoas redefine o papel das lideranças diante das incertezas econômicas. Ao projetar o impacto de longo prazo desse movimento de expansão, José Roberto Marques conclui que “fronteira não é limite, é ponto de passagem. E é exatamente isso que uma liderança em desenvolvimento precisa entender sobre si mesma.”