A wellness designer Tania Ginjas detalha o impacto do bem-estar e da longevidade na valorização dos imóveis
A consolidação de novos hábitos de consumo redefiniu os pilares do mercado imobiliário, elevando o bem-estar e a saúde preventiva ao mesmo patamar de relevância da localização. Segundo a especialista e wellness designer Tania Ginjas, o modelo que integra infraestrutura de regeneração e longevidade ao cotidiano dos moradores deixou de ser um recurso secundário para se tornar um ativo financeiro estratégico em empreendimentos de alto padrão. Análises do setor indicam que a inclusão de conceitos estruturados de qualidade de vida impulsiona o valor dos imóveis, permitindo que projetos focados na saúde física e mental alcancem valorizações entre 10% e 25% na comparação com construções convencionais.
Esse movimento ganha força impulsionado por transformações demográficas e pelo acesso ampliado a dados sobre longevidade, alterando drasticamente a percepção de luxo no segmento de moradia. Em nichedos de altíssimo padrão, a sobreprecificação decorrente da infraestrutura de bem-estar oscila entre 7% e 11%, a depender da localização geográfica e da complexidade dos serviços oferecidos. Com uma população que busca envelhecer com saúde, espaços dedicados ao cuidado físico e emocional migration definitivamente das dependências de hotéis corporativos, spas e resorts de luxo para integrar as áreas privativas e comuns dos lançamentos residenciais urbanos.
Na prática, a rentabilidade do investimento imobiliário passa a depender da assertividade na escolha dos equipamentos disponibilizados aos moradores. O mercado demonstra preferência por estruturas que combinam alta frequência de uso, funcionalidade e percepção clara de benefício diário, como spas, saunas, piscinas aquecidas, academias de alta performance, salas de recuperação física e refúgios integrados à natureza. Essa convergência entre hospitalidade, arquitetura e saúde permite que o morador incorpore práticas saudáveis sem a necessidade de deslocamentos urbanos, transformando a conveniência e o tempo útil nos maiores atributos de valor percebido na decisão de compra.

Por outro lado, a incorporação de tecnologias ultra-especializadas nem sempre garante um retorno financeiro proporcional ao capital investido na obra. Recursos inspirados no ecossistema do biohacking, como equipamentos de crioterapia e tanques de flutuação, exigem aportes elevados de implantação e operação, atendendo a uma parcela restrita do público final. Sobre os custos e o equilíbrio entre inovação técnica e apelo de mercado, Tania Ginjas ressalta que “a instalação de câmaras de crioterapia pode variar entre US$ 25 mil e US$ 80 mil, enquanto tanques de flutuação para uso comercial custam entre US$ 20 mil e US$ 60 mil, sem contabilizar os gastos com adequação de espaço e manutenção contínua”.

Para assegurar a sustentabilidade financeira dos projetos e evitar custos desnecessários com diferenciais meramente estéticos, as incorporadoras passam a recorrer à curadoria especializada de wellness design. O objetivo é criar espaços atemporais que promovam relaxamento e regeneração física de forma orgânica e intuitiva no dia a dia. Ao exemplificar a aplicação prática dessa metodologia no projeto Óra Spa, desenvolvido para a linha Árborea da Benx, Tania Ginjas explica que “o foco deve ser a criação de um ecossistema funcional onde o bem-estar não seja encarado como um artigo de luxo esporádico, mas sim como uma extensão natural da rotina de quem habita o espaço”.

A rápida aproximação entre os setores de saúde, arquitetura e mercado imobiliário consolida uma mudança profunda na modelagem dos novos produtos residenciais. À medida que as exigências dos compradores se concentram na promoção da saúde física e emocional, empreendimentos que falham em integrar soluções humanizadas e funcionais correm o risco de obsolescência precoce no mercado secundário. Nesse cenário de transição, a curadoria técnica garante que o investimento em qualidade de vida atue diretamente na preservação da liquidez e do valor patrimonial ao longo das décadas.
Historicamente guiado pelo endereço e pela infraestrutura básica, o mercado imobiliário do futuro passa a ter na saúde preventiva seu principal vetor de valorização e rentabilidade. A transição conceitual reposiciona a moradia como um centro de regeneração pessoal e proteção da longevidade. Diante dessa consolidação de mercado, Tania Ginjas conclui que “assim como a localização definiu a valorização imobiliária nas últimas décadas, a capacidade de um projeto em gerar saúde, tempo e longevidade será o atributo decisivo para precificar os ativos imobiliários nos próximos anos”.